O padeiro, a enchente e a incompetência do poder público

Postado por: Dilerman Zanchet

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Tem coisas que a vida ensina, mas que realmente é muito difícil de aceitarmos, se comparados com a evolução humana.

Uma nota, paga, no jornal Zero Hora de domingo (19.07.2015), na página 39, é estarrecedora, cômica, difícil de engolir, não fosse cruel e estarrecedora. O proprietário de uma panificadora da cidade de Esteio, na região metropolitana, pede “Pelo amor de Deus” a compreensão de seus fornecedores para que continuem lhe atendendo e, inclusive, solicita bonificação de produtos para continuar atendendo sua clientela e não precisar demitir alguns de seus 60 funcionários. O motivo foi o alagamento (pela segunda ou terceira vez) que a empresa sofreu com as últimas chuvas na região sul. A empresa ocupa uma área de 3 mil metros quadrados e um patrimônio físico estimado em 3 milhões de reais.

Pasmem com esse trecho do texto: “ Em 2012 sofremos com a enchente e perdemos mais de R$ 800 mil em mercadorias. Pensamos em sair da cidade, mas a prefeitura se comprometeu a fazer um dique de contenção. Nós acreditamos... compramos o terreno ao lado da empresa, investimos em torno de R$ 600 mil e subimos o piso em torno de um metro, Instalamos bombas e fizemos um muro duplo e uma outra barreira de contenção de compensado naval. Acreditamos. Nas enchentes seguintes perdemos pouca coisa, mas ainda assim deixamos de faturar...”

Os empresários que assinam a nota continuam, em seu apelo aos fornecedores, dizendo que a enchente da semana passada fez com que a água passasse por cima dos muros da empresa, e os prejuízos superaram R$ 1 milhão. 

Pensem, leitores: Prejuízos para uma empresa que gera empregos, paga impostos, pelo descaso do poder público, para mais de um milhão de reais. Insumos, caminhões, camionetes, algumas máquinas, tudo perdido. Pergunta-se: É difícil resolver o problema, se houver um pouco de boa vontade?

Os empresários, que eu nunca vi, não os conheço, mas conquistaram minha admiração, chamam-se Henrique P. dos Santos e Wanderlei dos Santos. Creditam à incompetência da administração de Esteio os prejuízos e as perdas. No entanto, não desanimam. Vão em frente. Põem a cara a bater, como poucos o fazem, e publicam na ZH um pedido de clemência aos fornecedores, para manterem vivos os empregos dos funcionários. Prometem, no entanto, mudarem-se para outra cidade. Querem continuar atendendo seus clientes.

Baita exemplo de perseverança, de luta, de briga, de coragem para um tempo em que “quanto mais 10%, melhor”.

Solidariedade a eles.




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