O Estado do Rio Grande do Sul existe em função dos servidores

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                 Não vou culpar os servidores pontualmente. Se eu fosse servidor público, chegada a hora, também me aposentaria. Mas, o Estado do Rio Grande do Sul faliu em virtude dos servidores. Ele existe hoje somente para pagar a folha e nem isso está conseguindo fazer em dia. Veja bem, há dois dias do final do mês, os servidores vivem o dilema de não saberem se vão ou não receber seus salários, têm contas a pagar assim como qualquer um de nós. A folha custa R$ 980 milhões. Faltando uma semana para encerrar o mês, o tesouro do Estado contava com pouco mais da metade desse valor.

Recebi a visita de um servidor aposentado da CEEE, muito sereno e consciente. “Cheguei a conclusão de que o Estado não pode administrar nada, tudo o que ele pega para fazer não dá certo”, disse o Sr. De Césaro. Ele se orgulha de ser um dos únicos 12 funcionários da CEEE em Passo Fundo, que não ingressaram com ação trabalhista contra a companhia. A CEEE, vendeu o pescoço da empresa, região norte e a região pobre do sul do Estado, ficou com o filé, a grande Porto Alegre, e mesmo assim consegue prestar o quarto pior serviço do Brasil, ao mesmo tempo em que se dá ao luxo de pagar salário de até R$ 80 mil por mês. Faliu também em virtude da enxurrada de ações trabalhistas movidas pelos próprios servidores. “O Sindicato prestou um deserviço para nós porque temo que chegue logo o dia em que iremos ficar sem salários”, disse De Césaro.

Ouvi hoje aqui na Planalto outro servidor de bom senso, o Tenente Coronel Bica. Hoje, o Estado tem apenas 21 coronéis na ativa e 497 coronéis aposentados. Isso mesmo, 497 coronéis aposentados. Bica, concorda que tem de mudar a regra para aposentadoria. Ele com 54 anos já poderia ter largado a farda há cinco anos. E compulsoriamente, daqui a um ano e meio tem de ir para a reservara. No Rio Grande do Sul, a expectativa de vida é de quase 80 anos. Para sustentar um sistema de previdência teria quer ter no mínimo cinco contribuintes para cada aposentado. O caso dos oficiais da Brigada é apenas um exemplo, é o que ocorre com delegados e tantas outras categorias, mas veja a inversão, tem um coronel na ativa contribuindo para a previdência para cada grupo de 23 em casa, recebendo. Não existe caixa que resista. É um tema delicado, mas está chegando o dia em que o Estado não conseguirá pagar nem os seus servidores. E o expediente mais fácil que é o aumento de imposto começará a ser rechaçado pela sociedade. Olívio tentou aumentar imposto não conseguiu. Yeda tentou, não conseguiu. Tarso tentou, não conseguiu. Apenas o boa paz Germano Rigotto foi vitorioso nessa investida. Justamente ele que faz palestras falando em reforma tributária.   

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