Dói muito, Tarso Genro?

Postado por: Dilerman Zanchet

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A nação brasileira está colocada diante do mais grave desafio da história da República. Precisamos definir rapidamente, diante do processo em curso de acelerada degradação nacional e de desagregação social, no bojo da nossa maior crise econômica do século, se o Brasil será uma nação soberana, capaz de afirmar sua autonomia no contexto internacional, ou se nos transformaremos definitivamente em servos de uma ordem global totalitária, que nos recusa o direito de partilhar minimamente das conquistas civilizatórias da humanidade.

O governo brasileiro já não dirige o país. Fernando Henrique abdicou da responsabilidade constitucional de governar, transferindo-a para os gestores dos organismos financeiros das grandes potências e para os especuladores internacionais. Perdeu a autoridade e a credibilidade - interna e externamente-, induzindo o país a uma situação de anomia cujo desfecho, ironicamente, vem sendo adiado apenas pela regulação predatória imposta pelo FMI, que organiza precariamente o caos para combinar seus dois objetivos estratégicos: esgotar todas as possibilidades de expropriação da nação e constituir mecanismos protetivos para minimizar os efeitos da “quebra” do Brasil nas economias de países hegemônicos...”.

... A nação brasileira, diante de um presidente apático, inepto e irresponsável, precisa reagir com os instrumentos que a Constituição autoriza, mobilizando todas as energias da sociedade civil na perspectiva da construção de um novo contrato social...”.

... Após frustrar irremediavelmente a generosa expectativa da nação, resta a Fernando Henrique uma única atitude: reconhecer o estado de ingovernabilidade do país e propor ao Congresso uma emenda constitucional convocando eleições presidenciais para outubro, dando um desfecho racional ao seu segundo e melancólico mandato, que terminou antes mesmo de começar.”

Esses são trechos de um artigo publicado na Folha de São Paulo, em 1999, pelo ex-prefeito de Porto Alegre, ex-ministro da Educação, da Justiça e ex-governador Tarso Genro. Isso mesmo. Aquele mesmo que, a menos de um ano, esteve aqui na BR 285 erguendo as cancelas do pedágio de responsabilidade da Coviplan, afirmando que os motoristas, a partir de então, não precisariam pagar para trafegar nas boas rodovias pedagiadas do RS e que a AGR resolveria todos os problemas de conservação. Este mesmo que, dias antes de deixar o governo do Estado, concedeu reajuste ao funcionalismo e elevou o mínimo regional, mesmo sabendo que o Rio Grande do Sul estava quebrado. Não tinha soluções para o escárnio financeiro do estado, mas tentou mentir ao povo por inúmeras vezes. Há, o mesmo ex-ministro da Justiça que concedeu àquele italiano acusado de crimes hediondos, caçado no mundo todo, o “asilo diplomático”.

A vítima de suas palavras, no texto que já completou 16 anos, nesta semana publica artigo dizendo quase a mesma coisa, com palavras diferentes, para a presidente Dilma Rousseff.

Fernando Henrique Cardoso - que já foi mais simpático antes de se declarar favorável à liberação da maconha, escreve em nota, referindo-se às manifestações populares de domingo, que “O mais significativo das demonstrações é a persistência do sentimento popular de que o governo, embora legal, é ilegítimo. Falta-lhe a base moral, que foi corroída pelas falcatruas do lulopetismo. Com a metáfora do boneco vestido de presidiário, a Presidente, mesmo que pessoalmente possa se salvaguardar, sofre contaminação dos malfeitos de seu patrono e vai perdendo condições de governar. A esta altura, os conchavos de cúpula só aumentam a reação popular negativa e não devolvem legitimidade ao governo, isto é, a aceitação de seu direito de mandar, de conduzir. Se a própria Presidente não for capaz do gesto de grandeza (renúncia ou a voz franca de que errou, e sabe apontar os caminhos da recuperação nacional), assistiremos à desarticulação crescente do governo e do Congresso, a golpes de Lava-jato. Até que algum líder com forca moral diga, como o fez Ulysses Guimarães ao Collor: você pensa que é presidente, mas já não é mais”.

Devemos lembrar que há bom pouco, ele mesmo considerou o Impeachment como algo insolúvel, ou seja, que não resolveria o problema do Brasil. Porém, não aceitou – e no meu entender, corretamente, encontrar-se com o ex-presidente Lula, em convite recente. Certamente que o governo de FHC não foi exemplar. Havia falcatruas sim, dizem os que conhecem os porões do Palácio da Alvorada. Assim como em outros governos. Mas nunca foi tão descarado. Tão impróprio e impune.

A nação brasileira está tal qual um barco desgovernado, á mercê da correnteza em meio à tempestade. Falta-nos, é verdade, um timoneiro. E de “bago roxo”. E os que foram às ruas domingo, estão sendo julgados de burgueses.

Ora. Será que os ministros da Dilma, o ex-presidente Lula, o ex-governador Tarso Genro e os outros da “base” deixaram de comer seu filé, tomar seu uísque importado ou andar nos carrões importados por conta do beleléu?




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