O menino que eu, você e o mundo não queríamos ver. Mas, vimos

Postado por: Neuro Zambam

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A imagem do menino sírio jogado ao mar é o retrato mais impactante dos últimos tempos. Pior talvez seja aquela do fotógrafo que registrou o abutre esperando para se alimentar da criança miserável nos sertões na África. Um menino chegar à beira do mar morto não é novidade, assim como pessoas jogadas ao mar durante viagens faz parte da rotina. Mortes em guerras, também. Assim poderíamos listar inúmeras situações.

Mas, cuidado, o anormal não pode ser rotina. Se for assim, a humanidade perdeu sua marca e dignidade. Estaríamos nessa época?

O sírio chegou junto com o lixo do mar e do navio que transporta restos humanos, sobras do progresso, despejo da globalização, dejetos dos bilhões de pessoas, e assim por diante.

Que falta faz um menino sírio?

O choro do pai enterrando a família representa a impotência das pessoas de bem e o esforço daqueles com boa vontade. Ao mesmo tempo a arrogância dos insensíveis e detentores do poder sem limites. Por exemplo, os comerciantes de armas.

A miséria humana, que parecia ter chegado ao seu ponto mais alto nos campos de concentração, toma outros contornos: Boko Haram, estado islâmico, ditaduras sofisticadas, mercado voraz, migrantes sem rumo, individualismo político, desigualdades nunca vistas, entre outros dramas.

A imagem é assim: o que se vê e o que ela significa.

Eu também não queria ter visto. O soldado que carregou o corpo certamente não queria a fama que teve. O pai não queria voltar (voltou para enterrar o filho – o grande drama de uma família: o pai enterrar o filho, quando o normal não é assim).

Entretanto, o que a imagem significa precisamos enfrentar.

Das manchetes à realidade. Joga-se à beira do mar o lixo que somos e produzimos todos os dias.


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