A façanha de ser gaúcho

Postado por: Dilerman Zanchet

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Foto: divulgação   Foto: divulgação 
Velho Rio Grande. Rio Grande antigo. Esse torrão do sul do país é um dos 27 estados confederados. Não precisa separar para ser melhor que todos os outros. Nem queremos ser melhores. Sabemos que somos.

Nosso Rio Grande tem sua história construída a partir de 1627, quando jesuítas espanhóis criaram as missões, próximas ao Rio Uruguai, na Fronteira Oeste. Foram expulsos pelos portugueses em 1680, quando a coroa portuguesa resolveu assumir seu domínio, fundando a Colônia do Sacramento.

Em 682 os jesuítas espanhóis estabeleceram os Sete povos das Missões. A primeira redução foi São Francisco de Borja (atual cidade de São Borja), fundada em outubro o daquele ano. Os portugueses chegaram em 1737, com uma expedição militar do Brigadeiro José da Silva Paes, iniciando com Forte Jesus Maria e José, a cidade de Rio Grande, primeira do estado do Rio Grande do Sul. Então tomou posso da Lagoa Mirim, impedindo a entrada dos invasores da Coroa Espanhola. As lutas pela posse das terras, entre portugueses e espanhóis tiveram fim em 1801, quando os próprios gaúchos dominaram os Sete Povos, incorporando-os ao seu território. Grupos de imigrantes italianos e alemães chegaram a partir de 1824. Durante o século XIX, nosso Rio Grande foi palco de revoltas federalistas, como a Guerra dos Farrapos, Guerra do Paraguai, Revolução Federalista e outras.

É linda nossa história. E não é à toa que temos em nosso Hino Rio-Grandense a frase “SIRVAM NOSSAS FAÇANHAS DE MODELO A TODA A TERRA”.

No entanto, atualmente temos que refletir sobre o uso correto destas palavras. Façanha, modelo, todo o mundo. Para quem mesmo? Para nossos funcionários públicos, que estão à míngua, não por vontade própria, mas sem perspectivas de receberem seus salários em dia? Façanhas, sim, dos professores e brigadianos que, muitas vezes, recebem em um mês o que um deputado ganha de verba para gasolina em uma semana. Isso é façanha. E se descuidar, o tal deputado foi aluno do “esgualepado” professor.

“Sirvam nossas façanhas de modelo a toda a terra”. Para quem? Para o policial que enfrenta com um revólver calibre 38 um bandido armado com fuzil de última geração? Sim, até pode ser. Isso é façanha.

“Sirvam nossas façanhas de modelo a toda a terra”. Para aqueles que trabalham na saúde, tentando reverter um quadro caótico que tem uma doença terminal. E que, somos sabedores, vislumbram a cura, mas, muitas vezes, são impedidos pela burocracia nacional, quando definham seus pacientes em corredores de hospitais.

“Sirvam nossas façanhas de modelo a toda a terra”. Àqueles que lutam nas escolas para poder orientar seus alunos, os trata como se filhos fossem, enquanto alguns colegas ao lado se aproveitam do concurso que os aprovou para pregarem a ideologia política do “quanto pior, melhor” aos incautos alunos.

“Sirvam nossas façanhas de modelo a toda a terra”. Aos produtores, aos colonos, que fazem do arado e da enxada seu instrumento de trabalho para pôr à mesa o alimento dos demais gaúchos.

“Sirvam nossas façanhas de modelo a toda a terra”. Todos os que lutam pelo reestabelecimento da concórdia e da paz em nosso Rio Grande.

Porém, que não sirvam de façanha os gaúchos que só o são na Semana Farroupilha. Ou aqueles que só querem tirar proveito do melhor para si, esquecendo que vivemos em uma grande comunidade e devemos nos orgulhar disso a cada menção que fizermos.

Que não sirvam nossas façanhas àqueles que tiram proveito do voto do povo para se beneficiar ou levar vantagem a pequenos grupelhos, estapafúrdios, fedorentos falcatruas que infestam nosso legislativo. E não se esqueçam de olhar para o executivo, onde também temos gente que vai para se beneficiar de uma causa genérica.

Que não sirvam nossas façanhas, àqueles que usam bombacha, bota, lenço e chapéu para dizerem ser gaúchos só nos cafés de chaleira e, enquanto entoa o Hino Rio-Grandense, digladiam-se na fila do café, enchendo seus pratos com a comida típica. Vão, mas não para cultuar a história e sim para “encher o bucho”. Esses não são gaúchos.

Enfim, “Sirvam nossas façanhas de modelo a toda a terra” a todos os que lerem estas poucas linhas e que têm orgulho de ser Gaúchos de Fato!






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