O financiamento privado das eleições e a corrupção nas relações entre o mercado e o estado

Postado por: Israel Kujawa

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Um servidor público do judiciário, Gilmar Mendes, juiz e membro do Supremo Tribunal Federal (STF), que retardou a discussão e posteriormente votou a favor da continuidade do financiamento privado das eleições está defendendo o interesse público ou o interesse de grupos privados? Condenar e prender empresários e servidores corruptos é importante, mas o problema será resolvido sem alterar uma das causas, que é o financiamento privado das eleições?

Estudar a sociedade é identificar relações entre ações humanas e situações sociais. Uma das associações mais comuns na explicação das situações sociais é a vinculação delas com o poder executivo, simbolizado na presidenta, no governador e no prefeito. No entanto, as situações sociais (nesse caso a corrupção) não serão explicadas adequadamente sem incluir as influências do mercado, da imprensa, do poder legislativo e poder judiciário. Em texto anterior destaquei a necessidade de estabelecer um equilíbrio econômico e político entre os poderes judiciário, legislativo e executivo. Neste texto saliento o comportamento do judiciário e as relações promíscuas, indevidas, entre o mercado e o estado.

As relações visíveis entre o estado e as empresas privadas (mercado) ocorrem na execução das obras públicas e na definição de políticas (fiscais, de subsídio, de juros) que interferem em setores econômicos. Ocorre que muitas empresas investem recursos nas campanhas eleitorais com o objetivo de ter retorno lucrativo, imoral e ilegal, nos serviços que o estado executará após a eleição. O judiciário tem a função de defender o interesse público, em consequência desta sua função ordenou a prisão de muitos empresários e muitos políticos corruptos.

Alguns empresários investigados afirmam, que a única forma de manter suas empresas no mercado, era jogar com as regras ilícitas da corrupção. Nesse caso é necessário repensar as relações entre mercado e estado e a decisão final do STF sobre o financiamento privado das eleições, se apresenta como uma luz.



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