Prefeitos x Transporte Coletivo

Postado por: João Altair da Silva

Compartilhe

Jamais imaginavam os prefeitos que um dia fosse ocorrer um levante nacional sobre um tema que diz respeito basicamente às suas ações. É o prefeito que decreta reajustes de preços de transporte coletivo. As manifestações públicas dos últimos dias no país, não têm um foco bem definido, mas o estopim de tudo foi o custo do transporte coletivo. Mais uma vez, o Rio Grande do Sul está na vanguarda desse acontecimento político. Grupos de ativistas resolveram protestar contra o reajuste desse serviço em Porto Alegre, recorreram à justiça e ganharam o embargo do aumento. Foi a gota d`água para que surgissem seguidores Brasil a fora com o mesmo ideal. Em Porto Alegre, o caso é interessante porque além de não ocorrer reajuste, a administração municipal, atendendo os apelos sociais, reduziu o valor em cinco centavos. Na carona, dezenas de outras administrações municipais tomaram a mesma medida. É bom esperar alguns meses para descobrir se verdadeiramente o preço das passagens era exorbitante ou não. Se as empresas conseguirem manter o serviço, com a mesma qualidade, é porque realmente os preços eram muito elevados. Ao contrário, se precarizar o serviço, a alternativa terá que ser outra.

Esse é um tema importante, mas mais de que discutir aumento ou redução nas tarifas, teria o governo que agir para a manutenção da estabilidade econômica, do Plano Real, que ao completar 19 anos na virada desse mês de junho, cambaleia logo ao atingir a maioridade. Se a autoridade monetária brasileira e o mercado conseguissem conduzir a economia sem inflação, não haveria reajuste de tarifas de transporte público e acabaria com essa celeuma. Reside aí o problema do descontrole de preços.

Crise democrática


A jovem democracia brasileira entrou em crise. Tudo isso pela má fé e incompetência dos nossos gestores. Enquanto países como o Japão gastaram oito bilhões de dólares para preparar um torneio mundial de futebol, chamado de Copa do Mundo, nós gastamos quase 30 bilhões na construção de monumentos inúteis, estádios de futebol. Normal que o presidente Lula tivesse defendido a busca desses eventos. Seria obrigação de qualquer mandatário fazer isso. Mas, não precisava entregar o país à FIFA. Sábado passado não havia nem ao menos clínico geral no atendimento de emergência do Hospital Municipal de Passo Fundo. No mesmo horário, um minúsculo grupo seletivo de pessoas do mundo todo festejava o dispêndio de bilhões de dólares num estádio de futebol. Esses fatos realmente são revoltantes. Nossos políticos brasileiros não estão preparados para lidar com o dinheiro público. Assumem os cofres recheados de dinheiro e se ''borram'' como uma criança que está aprendendo a comer. Aqui se paga salários no serviço público de R$ 30 mil, R$ 40 mil, R$ 50 mil como se o Brasil, um país pobre, tivesse condições para isso. Um deputado, seja estadual ou federal, custa milhões de reais à nação, cada deputado é uma espécie de uma estatal. Com a lei de acesso a informação, exceto aqueles órgãos, verdadeiros caixas pretas, como é o Tribunal de Contas, que deveria ser o primeiro a dar o exemplo e vir a público mostrar seus gastos, ficamos sabendo das fanfarras promovidas com o dinheiro público. Pena que não vejo uma frase sequer falando dos altos salários pagos no serviço público. Por outro lado, vi uma manifestante no Rio de Janeiro, protestando contra o alto preço da ração de seu cachorro. E não se tratava de sátira. É que a inversão de prioridades, a perda de valores, faz as pessoas pensarem que um animal vale mais que um ser humano. Não precisamos ir longe, aqui em Passo Fundo tem pessoas eleitas, ganhando bem, que custam muito caro aos cofres públicos, ao priorizarem em suas ações, os animais em detrimento da população.

Não tem um Lindberg Farias frente aos protestos, cada um é dono de seu nariz nessas marchas, será difícil negociar. A crise é também de lideranças. 

Leia Também 33º Domingo do Tempo Comum. O Enart, de novo! A importância de ter uma recepcionista/secretária preparada em seu consultório. Feito é melhor que perfeito