"Bom é que esteja morto"

Postado por: Neuro Zambam

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Na semana passada foi comentada com certo destaque uma pesquisa em que um número expressivo dos brasileiros advoga em favor e defende o famoso jargão: “bandido bom é bandido morto” [http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/10/1690176-metade-do-pais-acha-que-bandido-bom-e-bandido...].

Já não bastasse a grosseria da expressão, o seu significado demonstra a pequenez e a falta de qualquer juízo crítico sobre as causas da violência no Brasil e a extensão das suas consequências.

Trato desse tema para lembrar quatro aspectos que considero relevantes:

1- Quem comete violência precisa ser investigado, avaliado, julgado e punido. Logo, nenhum bandido é causa de orgulho para qualquer família ou sociedade.

2- Certos tipos de violência que assolam de forma vela a sociedade são sinais de grave 'bandidagem' e de doença social, por exemplo: a violência familiar que é tolerada e escondida no cotidiano.

3- Ações como a corrupção, tráfico de influência, malversação do dinheiro público não são consideradas ações violentas e desumanas pela quase totalidade da população. Poucos se dão conta que estão na origem dos grandes escândalos de violência no Brasil e no mundo.

4- Talvez, o mais importante, essa lição chegou a partir de uma conversa com uma colega que leciona direito penal: “todos, em maior ou menor grau, temos alguém em nossas famílias com atitudes ligadas ao mundo da 'bandidagem' e, por isso, ligados à justiça penal.

Enquanto pesquisas revelarem opiniões tão absurdas, a violência está solta pelas famílias, ruas e outros ambientes sociais.

Quem concorda com a pesquisa citada, 'abra o olho'. É possível que algo mais grave esteja acontecendo no seu interior, na sua família ou no ambiente que você frequenta.




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