Crise, o que significa afinal?

Postado por: Cláudio Dalbosco

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É tendência natural do ser humano buscar a harmonia e viver em paz, consigo mesmo e com os outros. Não queremos ser incomodados e procuramos nos distanciar de tudo o que nos perturba e nos gera insegurança. Contudo, não existe harmonia plena e definitiva, mesmo quando almejamos encontrá-la obstinadamente. A precariedade e a vulnerabilidade da condição humana não permitem ao ser humano almejar um estado de perfeita harmonia. É ilusão pensar neste estado perfeito; é engodo pedagógico pensar na educação como ausência de conflitos.

Na ausência de conflito, a pessoa morre e a sociedade decresce, regride e tende a desaparecer. Heráclito, filósofo grego, pré-socrático, já dizia que o conflito é a mola propulsora da história; que as coisas humanas só se tornam melhores do que são porque movidas por forças opostas. Ou seja, é a oposição dos contrários que movimenta e dinamiza a história.

Esta linguagem de Heráclito, traduzida para os dias atuais, pode significar a aposta na competição como forma de crescimento. Contudo, que o ser humano é insociável e que o mercado não se regula por si mesmo, todos no fundo sabemos disso. Desafio é a construção de formas cooperativas de vida e instituições com perfil solidário, capazes de regular a insociabilidade humana e a competição social autodestrutiva.

Mas podemos adotar esta forma de pensamento para compreender a crise atual? Se tal crise não é algo somente negativo, o que há então de positivo nela? Ou seja, como podemos aprender com a crise? A compreensão da expressão “crise” é um primeiro passo importante para tratarmos de maneira adequada as questões acima. Sem entendermos o significado das palavras, não podemos nos comunicar uns com os outros e menos ainda compreender o que se passa a nossa volta.

Tomemos uma fonte fidedigna de consulta, ou seja, o nosso velho e bom Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. Ele nos oferece ao todo treze definições para palavra crise. Dentre elas nos interessa seu significado como “manifestação violenta e repentina de ruptura de equilíbrio”. Ou seja, vínhamos até então numa situação mais ou menos equilibrada, tanto do ponto de vista individual como social e há uma alteração brusca, gerando-nos instabilidade.

A ruptura de equilíbrio ocorre na esfera social e política, quando a economia deixa de apresentar os resultados esperados e o governo perde a capacidade e/ou a credibilidade para governar. Dependendo do tamanho da crise e das possibilidades reais de sua superação, maior pode ser a angustia e a incerteza da população. Em todo caso, quanto mais visão estadista e republicana tiverem as forças políticas em disputa, maior é a probabilidade de superação da crise.

O certo é que sem uma unidade mínima, sem um novo pacto social e político, não há como enfrentar adequadamente a crise. A angústia aumenta quando não se visualiza possibilidade de tal pacto, pelo menos em curto prazo.

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