Precisamos aprender a pensar e reconhecer o pensameto do outro para aumentar nossa capacidade de leitura

Postado por: Israel Kujawa

Compartilhe

Para quem está vinculado a educação, seja como profissional, como estudante ou familiar de estudante, a prova e as polêmicas que envolvem o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) é um fato importante.

O diagnóstico que visualiza a falta de sintonia entre elevação da escolaridade e capacidade de leitura e de conhecimento da história, geografia, filosofia, sociologia, biologia é reconhecido por quem analisa o comportamento social. Uma polêmica que envolveu um fragmento da obra da escritora Simone de Beauvoir, citada no ENEM, é um indicativo das deficiências de leitura. Esta polêmica demonstra a incapacidade de perceber as diferentes perspectivas de análises feitas pela biologia e pela sociologia ou filosofia. Ao diferenciar mulher de fêmea a referida autora estava vinculando estes conceitos com a biologia e com a sociologia ou filosofia. Um ser vivo, no caso um ser humano, nasce macho, fêmea ou com sexo indefinido (Biologia). O tipo de comportamento social que este ser humano assume é uma construção histórica, econômica, política e cultural, que irá identifica-lo como mulher, homem, homossexual, transexual ou bissexual (sociologia e filosofia).

A opção pedagógica, filosófica, do último ENEM, foi focar nos direitos humanos da mulher, mais especificamente, no direito que hoje é reconhecido por lei e que condena todo tipo de violência contra a mulher. No entanto, este direito apesar de reconhecido em lei, não está satisfatoriamente concretizado. Passo Fundo, por exemplo, está marcado neste tema com o episódio do assassinato de uma mulher, Silvia Aparecida de Miranda (http://www.worldbank.org/pt/news/video/2013/03/08/Brazil-short-documentary-contest-domestic-violence...) que militava contra o machismo e não aceitava a violência contra a mulher, em especial, não aceitava as agressões sofridas por sua filha. No Brasil, os dados do IPEA registram que entre 2009 e 2011, ocorreram 16,9 mil mortes de mulheres (feminicídio) decorrentes de conflito de gênero. São crimes geralmente cometidos por parceiros íntimos ou ex-parceiros das vítimas.

A violência contra a mulher não é natural, biológica, nem decorre da vontade de qualquer ser superior, mas é decorrente de contextos sociais e culturais. A condenação dos assassinos e os avanços na superação da cultura machista é resultado da reação e da ação social organizada por mulheres e homens que não aceitam este tipo de violência. Para quem desejar aumentar o conhecimento, a capacidade de leitura e reflexão sobre o tema, sugiro o estudo da história de Sílvia Aparecida de Miranda, de Maria da Penha e de Simone de Beauvoir.


Leia Também Falecimento de titular de firma individual causa a extinção da execução fiscal Treinamento psicológico e o efeito no grupo A ciência como ferramenta para a sabedoria Quebra-molas são permitidos, “em casos especiais”