Dimensão política da crise – 09/11/2015

Postado por: Cláudio Dalbosco

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A dimensão política pode agravar a crise econômica ou, ao contrário, contribuir para busca de sua solução. A democracia representativa, da qual fazemos parte, exige à construção da maioria política no Congresso, para poder governar. Nenhum governo democrático se sustenta sem o apoio da maioria. No caso da situação política brasileira atual, temos alguns fatores específicos que auxiliam na compreensão do entrelaçamento entre crise econômica e crise política e como esta última potencializa a crise econômica.

O primeiro fator é o sistema presidencialista ancorado no atual sistema partidário, sustentado pelo financiamento privado das campanhas eleitorais. Isso gera inúmeros problemas, entre eles, como presenciamos na atualidade, a corrupção como forma sistemática de governo. De outra parte, o atual sistema político exige o “presidencialismo de coalizão”, o qual só é conquistado por meio da troca de verbas, da distribuição de cargos e do fatiamento do poder. Neste sentido, o partido que possui maior força de barganha, leia-se, maio número de representantes no Congresso Nacional (Câmara e Senado) consegue levar mais verbas e o maior número de cargos.

O segundo fator, vinculado ao primeiro, é o fracasso do Governo Dilma para garantir o “presidencialismo de coalizão”. Fernando Henrique Cardoso e Lula foram presidentes hábeis, que souberam obter sustentação política em troca do fatiamento do poder, incluindo obviamente a distribuição de cargos e verbas. Claro, não podemos ignorar que a conjuntura econômica nacional e internacional era diferente, mais favorável, sobretudo, ao Governo Lula. De qualquer sorte, diante de um momento delicado, de crise econômica, a Presidente Dilma mostra sua inabilidade política.

O terceiro fator refere-se ao papel preponderante que o PMDB desempenha na política brasileira desde a Abertura Democrática, mostrando todo seu fisiologismo para alcançar seus interesses. A “pemedebização” da política brasileira é um traço marcante, pois qualquer governo precisa se transformar refém do PMDB, para que possa assegurar o presidencialismo de coalizão. Se num regime democrático não é possível governar sem o Congresso, isso tem custado aos governos das últimas décadas, a impossibilidade de governar sem o apoio do PMDB. Isto porque a outra via, de aproximação entre PT e PSDB acerca de questões centrais de um projeto de nação e de reformas estruturais, ficou desde o início obliterada.  

Por fim, soma-se a estes três fatores, como quarto, o fato de uma parte da oposição que, além de ressentida pelo resultado das últimas eleições, não abrir mão de chegar ao poder a qualquer custo. É a turma do “quanto pior melhor”, que faz de tudo para potencializar politicamente a crise econômica. Agindo assim, deixa claro que não possui um projeto republicano para o país e, em verdade, parece não estar tão interessada com a situação da população brasileira. Na medida em que só pensa em seus interesses particulares, a oposição parece distanciar-se dos ideais estadistas e republicanos que caracterizam a mais alta tradição da democracia ocidental.

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