Saúde x Educação

Postado por: João Altair da Silva

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Educação, saúde, segurança e fim da corrupção são as principais bandeiras empunhadas pelo povo nas ruas. Entre a saúde e educação, qual dessas demandas você votaria como prioridade? Particularmente, nesse momento de grave crise no atendimento à saúde, essa seria a minha principal bandeira. Entendo que a melhora na saúde também é uma consequência da melhoria na educação, porque uma população mais educada, é melhor remunerada, forma um povo mais desenvolvido, pode prevenir sua saúde e mantê-la em melhores condições. Ocorre, que a saúde está mesmo na UTI. Escola, pelo menos nos ensinos fundamental e médio, tem para todo mundo. Pode se questionar a qualidade do ensino, mas não vai para a escola quem não quer. Se falta espaço físico na escola mais próxima, custa muito pouco caminhar três ou quatro quadras e ir até a outra. Aliás, até transporte escolar para três ou quatro quadras existe. Há prefeituras que fazem um esforço grande para gastar os 30% ou 35% do orçamento previsto para a educação.

E para a saúde qual é o tamanho da verba orçamentária? Prefiro a saúde pelo dilema que acompanho como profissional de imprensa no dia a dia da comunidade. Se precisar de um cirurgião pediátrico em Passo Fundo, prepare para esperar mais de dois anos pelo procedimento. Existiam, até poucos meses atrás, apenas dois, que atendiam pelo SUS. Conseguir uma consulta com um especialista desse é um verdadeiro milagre. Mas, esse não é um caso atípico. Infelizmente, você leitor sabe que é a regra, ou seja, consultar com especialista pelo SUS, é um exercício de muita, mas muita paciência, pois a fila de espera é grande, em qualquer área. Ainda ontem, um ouvinte nos dizia na redação que está agendando uma consulta para sua esposa para o mês de outubro. Se for bem, se não desmarcarem, ela vai consultar e agendará exames para muito tempo depois. Tem sido comum, agendarem procedimento cirúrgico para muito tempo depois, ou seja, após o vencimento dos exames. Aí a rotina começa tudo de novo, isso se o paciente ainda estiver vivo. Essa é a praxe na nossa saúde pública. Mas atenção, falei em agendamento de consulta para outubro, mas tenho caso também de agendamento para dois anos depois.

Portanto, entre saúde e educação, prefiro atendimento à saúde. Essa não espera. Se eu não puder ir para a faculdade esse ano, não morrerei se for o ano que vem. Ao contrário, dependendo da patologia, a morte pode chegar em 30 ou 60 dias. Por isso, vejo que o foco dos manifestantes nas ruas não obedece o princípio da prioridade. Tanto é que o governo federal anunciou todo o recurso da renda farta do petróleo para a educação. E a saúde? Vai continuar assim.

Na madrugada de ontem as pessoas formavam longas filas na frente do PAN, ao relento, com temperatura de 5 graus, na rua Fagundes dos Reis. Muitas ainda bateram com a cara na porta porque não havia o remédio que precisavam. Não estou inventando a roda. Você leitor que usa o SUS sabe que é assim que funciona o sistema. Infelizmente, essa bandeira não é levantada, à altura necessária, nas ruas. Talvez porque o público manifestante seja mais jovem, ainda não entenderam a necessidade de atendimento nessa área. Fazem muito cálculo sobre quantas bolsas, quantos cursos universitários, quantas casas populares seria possível construir com R$ 28 bilhões gastos nas obras das Copas, mas não somam quantas consultas com especialistas, quantos exames, quantas cirurgias, quantos médicos poderiam ser contratados com esse mesmo valor.

Todos os anos sobram milhares de bolsas do PROUNI nas universidades. Sobram porque os alunos não conseguem nota suficiente no ENEM. Reflete a qualidade do ensino, mas principalmente, a falta de empenho do próprio estudante. Aqueles que se dedicam, se dão bem no ENEM e estudam pelo PROUNI. E essa é uma responsabilidade nossa como cidadãos e não tarefa de governos.

Precisamos sim de mais investimento na educação, mas prioritariamente na formação de mais médicos. A média de 113 candidatos por vaga no vestibular de medicina da UPF no final de semana passado, particularmente, me deixou estupefato. O principal motivo da grande demanda é o monopólio regional do referido curso nessa área, mas reflete também o desejo dos jovens em investirem na medicina. 

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