A dimensão moral da crise

Postado por: Cláudio Dalbosco

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Somos bombardeados diariamente pelas notícias da operação Lava a Jato. A Polícia Federal está desempenhando papel importante para desbaratar os esquemas de corrupção profundamente incrustados no âmago das Estatais e do próprio Governo. Para o bem da democracia é vital que existam tais investigações e que todos os corruptos, uma vez provada sua culpa, sejam punidos exemplarmente, com a força da lei.

De qualquer sorte, a desbaratamento da rede de corrupção nas entranhas do poder potencializa a crise política, tendo obviamente efeitos também na crise econômica. Aumenta a desconfiança da população nos partidos políticos e gera uma atmosfera de incerteza quanto aos rumos do país.

O que mais chama atenção no depoimento dos envolvidos e que se dispuseram falar em nome da Delação Premiada, é a naturalidade com a qual falam do modo como montaram e operacionalizaram os esquemas de corrupção. Tudo isso com apoio de lideranças partidárias. Tratam da corrupção como um problema jurídico e político, mas de modo algum com um problema moral. Ou seja, não lhes interessa a origem pública do dinheiro que mandaram para o exterior e nem o quanto tal dinheiro seria útil para financiar os serviços essenciais que tanto a população precisa.

A corrupção que vivenciamos em nosso país é um exemplo típico da banalização atual do mal. Os corruptos não possuem nenhum escrúpulo sobre as consequências morais de seus atos e o sentimento de vergonha e de respeito público simplesmente não existe. Qual é o exemplo que lideranças empresariais e políticas estão deixando às novas gerações?  Se a independização do direito e da política em relação à moral e à religião possui sua razão de ser no Estado moderno, de outra parte, não pode servir para proteger a desresponsabilização moral.

Além da dimensão política e jurídica a corrupção tem uma faceta nitidamente moral. As lideranças políticas e empresariais corruptas, além de solaparem o patrimônio público, deixam o mau exemplo à sociedade e às novas gerações. Mas a sociedade precisa se reerguer, retomando a memória do bom exemplo de lideranças nacionais e mundiais históricas e, sobretudo, apostando na formação moral e ética das novas gerações. Oferecer referenciais normativos baseados no feito de grandes líderes é, como já defendia Rousseau no Emílio, uma tarefa irrecusável da formação moral. No momento de crise moral a retomada do exemplo de boas lideranças intelectuais e políticas é o caminho promissor a ser seguido. Retomar e aprofunda a democracia como forma de vida é o melhor antídoto contra as saídas fascistas.

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