Enart: Eu mando. E ponto!

Postado por: Dilerman Zanchet

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  • Dilerman Zanchet - Jornalista

Você pode estar se perguntando se o título desse artigo é pura ironia. E, também, se já não é tarde para escrever, haja vista que o evento aconteceu há mais de uma semana. E a resposta é: Sim, e não. Pura ironia. Pura decepção para aquele que é o maior evento amador de arte e tradição de toda a América Latina e, talvez, mundial. Não, pois as mudanças foram muitas, as decisões que não ocorreram também foram muitas. Por isso, agora, com menos tempestuosas, mas não tão calmas ainda, decidi por publicar.

Se continuar assim, o Enart vai para as cucuias. Não tem mais sentido fazer um evento como esse. Não espere mais nada para 2016. Não é isso que queremos: eu e mais milhões de gaúchos. Eu tentarei explicar nas próximas linhas. Tentarei, porque, realmente, é muito difícil.

Em 2013, um erro parecido (leiam bem, parecido) com o que houve nesta edição, ocorreu com a Força B. Não houve tanta repercussão, pois, infelizmente, os dessa categoria não tem tamanha visibilidade.

No ano passado (2014), um erro grotesco da comissão avaliadora das danças tradicionais na força A deu ao Rancho da Saudade, de Cachoeirinha, o título de campeão. Erro grotesco que contestamos, desde a hora posterior à divulgação, até na semana passada, quando cobrávamos lentes, filmadoras e olhos atentos a tudo e a todos na edição deste ano.

Repito a frase anterior: Desde novembro de 2014 estou à espera de uma posição oficial do MTG sobre aquilo. No entanto, fui tachado por integrantes da diretoria da entidade como um agitador e pessoa “não indicada” para ser amigo de membros que pertencem à gestão atual. Hahaha.

Pois bem. Todos estavam tensos nas comissões avaliadoras. O público, no ginásio principal, quer arte. Quer dança, quer emoção e tradição. Não quer falcatrua. Não quer que vença quem eu quero. Quer que vença o melhor. Realmente o melhor.

Em 2015, porém, as coisas mudaram não mudando. “Escolho quem vai vencer e ponto! É a norma. Não a conteste. Faremos de tudo para provar que quem manda somos nós. Ou eu”. Parece-me que é a norma. E tenho dito. Que pena!

Os erros das planilhas, divulgadas, ovacionadas pelas redes sociais, com uma esfarrapada desculpa da empresa contratada para o software, só vão engolir os incautos. Eu não sou burro. Vou ali à esquina, pego a nota fiscal do valor que desejar, e apresento a quem quiser. Se mudou somente os dois primeiros resultados divulgados na noite de domingo, alteraram-se também os demais. Elimina-se a maior e menos pontuação. Ok. Mas de todas as modalidades. Então, como ocorreu com a trova, o restante está correto ou precisa reavaliação? Houve choro ou ameaça por parte dos outros, para que também sofresse alteração o quarto, quinto, etc?

Lembre-se que, quem ficar em sexto lugar, tem que pleitear a vaga para o próximo ano competindo nas regionais e inter-regionais. Repito: Não sou burro. Favoreceram uma entidade no ano passado. Neste ano, favoreceram duas. Hahaha!

Ouvi falar em erros na pontuação em outras categorias. Muito difícil provar, já que tudo foi feito pela “empresa contratada”. Complicado isso. Tem dinheiro público na parada. O Ministério Público deveria tomar medidas necessárias, se não vier a ser esclarecido. Mas esclarecido.

Tem pessoas ligadas ao movimento que estão abismados com os constantes desmandos. Até quando vai isso?

Cabe, também, ressaltar a questão da infraestrutura do Parque. Não havia mais que dez chuveiros quentes, masculinos, para atender à demanda de mais de 5 mil pessoas acampadas. Todos os anos é a mesma coisa. Um chuveiro simples não custa mais de R$ 30,00. O Enart arrecadou, no mínimo, 600 mil reais só de bilheteria. Sim. O MTG divulgou que mais de 65 mil pessoas entraram no Parque. Ao preço médio de R$ 10,00, faça as contas. E não estou incluindo aí as taxas cobradas pelos automóveis (40,00) ou caminhões e ônibus (100,00). Um preço alto.

O que vai acontecer com o Enart, a partir das decisões absurdas tomadas nos gabinetes? A partir de agora, é coisa que só os tradicionalistas vão decidir. Vi coordenadores de regiões, vejo patrões, instrutores, alguns avaliadores completamente decepcionados com o que está acontecendo. “Eu mando, e ponto”!

Tchê, gente. Isso dói. E muito. O empenho, a inocência, a voluntariedade do povo de Santa Cruz e arredores. Dançarinos que esfolam os pés o ano todo, perdendo sono, aulas, deixando maridos, esposas, namorados, namoradas, filhos de lado, pelo Enart. E os pais que muitas vezes bancam os filhos... E agora?








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