Ele escolheu ser infrator?

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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O que se vê geralmente nas rodas de bate-papo, reproduzindo uma tendência de opinião, do senso comum de nossa sociedade, diante de notícias cotidianas de violências praticadas por adolescentes infratores, é a velha frase de que “estes delinquentes escolheram a vida que têm, escolheram ser vagabundos...”

É muito fácil para quem não conhece a vida pregressa de um jovem infrator, ter uma opinião formada na base do que pensam a maioria das pessoas, porém, se analisarmos a vida da maioria dos jovens infratores, com certeza iremos repensar estes conceitos, não querendo aqui também generalizar, mas apenas fazer uma provocação a você leitor, trazendo alguns dados e reproduzindo algumas das condições cotidianas de muitos jovens em conflito com a lei.

Quando um adolescente é internado para cumprir uma medida sócio-educativa, pelo cometimento de um ato infracional qualquer, o principal objetivo da internação é a ressocialização, tutelada pelo estado, muito embora, dependendo da comoção e repercussão deste ato na comunidade, o desejo da sociedade seja o de “penalizar” da forma mais cruel e severa, fazendo com que este sofra tanto quanto suas vítimas sofreram, o famoso “olho por olho, dente por dente.”

Vamos aqui criar uma situação hipotética, embora seja muito comum dentre muitos dos infratores, onde em sua ampla maioria, sofrem pela exclusão e o abando do estado e da família: Um jovem, com 17 anos de idade, que não conheceu o pai, a mãe uma garota de programa, fora criado nas ruas, sob a influência de pessoas sem nenhuma condição de educá-lo, cresce analfabeto, viciado em vários tipos de drogas e para sustentar este vício, comete vários tipos de delitos, até chegar a crimes mais graves, neste caso considerado atos infracionais, chegando ao escopo da internação, se a sorte assim desejar e não ser este, mais uma das muitas vítimas fatais do crime.

Vejam como diante de uma situação como esta, a nossa teoria sobre o “querer” deste jovem, já toma outra proporção e/ou visão, pois evidentemente, ao julgarmos um ato de um jovem criado nas condições precárias acima citadas, comparado com um jovem que tenha tido as mínimas condições e oportunidades, que por direito a sociedade deveria lhe proporcionar, com certeza iremos julgar os atos deste jovem, com outro peso e outra medida, de que a primeiramente sentenciada no início deste texto.

A maioria dos jovens infratores, hoje em cumprimento de medidas sócio-educativas, têm uma carga direta de irresponsabilidade do estado, da família e da sociedade em geral, que falharam no momento de execução das políticas públicas de inclusão, de assistencialismo, de educação e capacitação profissional, que se aplicadas e oferecidas oportunamente no momento certo da vida destes jovens, obteriam resultados muito mais eficazes e preventivos, de que os obtidos com a internação após o cometimento de atos infracionais, evitando danos irreparáveis na vida de todos nós e principalmente destes adolescentes, que são muito mais vítimas, do que autores.

Portanto meus amigos, sejamos mais céticos e cautelosos na hora de formarmos nossa opinião sobre determinados assuntos, pois caso contrário, poderemos estar cometendo injustiças ao generalizarmos conceitos.



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