A Cultura Tradicionalista

Postado por: Dilerman Zanchet

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  • Dilerman Zanchet - Jornalista

Está cada vez mais difícil entender a tentativa de desmobilização congênita do tradicionalismo como cultura de terra, de valor, por parte de alguns integrantes do tradicionalismo. Pessoas em alguns cargos estão, nos últimos tempos, tomando atitudes e ações que somente prejudicam a cultura e a sua divulgação, através de posturas não condizentes com os valores postados na nossa Bandeira do Rio Grande.

Não se trata de desvio de verba, de má gerência de recursos, ou coisa que o valha (pelo menos por enquanto, não!). Trata-se, porém, de atitudes que assustam os que cultivam a tradição. Muitos não podem falar ou emitir opinião, sob pena de sofrerem retaliações, como é o caso de alguns narradores de rodeio. Outros, tipo patrões ou instrutores, também não podem emitir opinião sobre os assuntos em voga, sob o risco de verem seus grupos banidos ou prejudicados nos eventos tradicionalistas e, o que é pior, sem tem a quem recorrer. Profissionais da comunicação (alguns que não bebem dessa água), estão sendo afrontados das mais variadas formas.

O Rio Grande do Sul é épico. Lutamos por uma causa nobre e até hoje peleamos pela tradição. Mas sofremos as mesmas retaliações que os farroupilhas enfrentaram ao discordar dos impostos do charque e outras “coisitas”. Parece que o sistema democrático passou longe da sede do movimento tradicionalista. Isso, a julgar pelas últimas ações e comentários.

A sansão e postura de alguns membros chega às raias do ridículo, não fosse patética. Refiro-me a um encontro realizado em Porto Alegre, há alguns meses, quando o comentário foi a respeito de uma ação trabalhista que um narrador move contra o MTG. Taxar uma pessoa de “amiga de tal” e todos os participantes caírem na gargalhada, como se fosse o mais absoluto pecado mortal, é patético. Taxar uma empresa ou veículo que sempre se colocou a favor da cultura do Rio Grande por ser amiga ou dar espaço para este ou aquele, é censura. Pior e mais patético que isso é querer dividir o Rio Grande entre aqueles que são a favor ou são contra esses alguns integrantes do movimento. Sim, pois ser a favor ou contra é tudo o que não devemos. Manter uma posição, desde que, com coerência, é fundamental, embora nem todos pensem dessa forma. Ainda, além disso, dizer a integrantes do movimento que não devem ser amigos deste ou daquele que difunde as coisas do Rio Grande e “não baixa a crista” para os desmandos, é abominável.

Há alguns meses, voltando de Farroupilha, onde revivi o Feggart, depois de décadas, como um real festival de arte e tradição - sem os vícios que o Enart carrega pela postura talvez duvidosa de alguns avaliadores e a conivência da entidade maior, me deixou feliz. Compreendo que já temos mais um grande evento em que somente os melhores serão os vencedores. Ou, os que menos errarem levarão as maiores notas. E é só disso que precisamos: imparcialidade na avaliação.

Para não dizer que tudo o que aconteceu em Farroupilha foi maravilhoso, ouvi uma entrevista em que uma pessoa disse “estar estarrecido com alguém que critica suas ações, mas não vai lá para se oferecer a trabalhar”. O que não disse é que esqueceu que foi eleito para um cargo que tem seus desígnios, sejam de bônus ou de ônus. E trabalhar sozinho não é demérito. Aplaudo isso. Não consigo compartilhar, porém, de atitudes ditatoriais em sociedades. “Eu mando, você me obedece e tenho dito!” é tudo o que não precisamos, neste momento, em um país como o nosso.

Depois do último artigo que publiquei, alguns mandaletes tentaram me calar. A propósito disso, já tive ameaças das mais variadas formas. Algumas físicas, outras morais. Porém não vou calar diante do descaso ou do desmando, ou do que vier. Quando um mandalete te provoca, seja por telefone, seja através de carta ou de outra forma, é porque você está apertando a ferida. E ferida aberta dói.

Espero, como a grande maioria dos gaúchos, seja com ou sem “carteirinha de gaúcho”, que os tempos mudem e que bons ventos passem a soprar sobre o movimento. A partir de janeiro haverá uma nova diretoria. Novos rumos deverão vir. Espera-se. Será melhor que seja assim.


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