Os conflitos sociais: a função do estado e das políticas públicas

Postado por: Israel Kujawa

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Os conflitos fazem parte da constituição das pessoas e das sociedades. Os conflitos sociais se vinculam a questões econômicas e culturais. Os exemplos ilustrativos de conflitos sociais no Brasil, podem ser identificados nas relações entre índios e europeus, nas relações entre escravos e senhores, entre empregados e patrões.

O estado foi criado para resolver os conflitos. No entanto, se encontra, neste momento histórico, no centro das críticas e dos questionamentos em relação ao seu papel. Uma análise superficial não diferencia o estado dos políticos que o administram num determinado momento histórico. Entendo que esta análise deve ir além atingindo e identificando as visões e as forças sociais que influenciam o comportamento do estado.

Nas últimas décadas do século passado predominou a visão liberal ou do estado mínimo. Em sintonia com esta visão, o estado vendeu o seu patrimônio para a iniciativa privada, dando mais poder para o mercado. Nos últimos doze anos predominou, no Brasil, a visão de um estado maior, mais presente na economia e no desenvolvimento social. Estas duas visões estão na base dos conflitos sociais instalados e acirrados no Brasil. A solução destes conflitos não se dará apenas com a definição de qual político deve estar no comando, mas sim com o debate e opção explicita de que concepção de estado queremos.

Para quem deseja compreender um pouco mais sobre o histórico dos conflitos e as características do estado, sugiro a leitura do livro escrito pelo Professor Dr Henrique Kujawa:


A pesquisa publicada no livro demonstra que o estado agiu, através de políticas públicas ao dar ou devolver terras para os índios. Após algumas décadas, vendeu estas mesmas terras para os agricultares. O conflito, neste tema está acirrado, pois o estado age novamente, nas últimas décadas, ao tirar estas terras dos agricultores para devolver aos índios. A sequência destes fatos demonstra que o estado é autoritário, mal administrado, não age com visão de longo prazo e comete muitas injustiças.

Para uma convivência adequada com os conflitos sociais não podemos nos restringir a visão de que não temos nenhum político confiável para administrar o estado. Devemos analisar e colocar no centro do debate as visões e as análises do estado em disputa. Devemos nos posicionar sobre quais são as políticas públicas necessárias para a superação dos conflitos e para construção da justiça.



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