Festa Natalina e meditação sobre a vida

Postado por: Cláudio Dalbosco

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Há mais de dois milênios comemora-se o nascimento de Jesus Cristo. A fundação do Cristianismo marcou decisivamente a tradição cultural ocidental. Não é evidentemente a única religião, mas está entres as maiores das religiões mundiais. Ao Apostolo Pedro coube lançar a pedra fundamental da Igreja, ao Paulo, a divulgação da mensagem de Jesus pelo mundo a fora. Os dois Apóstolos representam simbolicamente o poder da religião institucionalizada e a força energizadora do conteúdo inerente à mensagem do Cristianismo.

Já em sua origem, o Cristianismo contém a tensão que o acompanhará na sua expansão para todos os Continentes. Por um lado, o poder institucionalizado de sua crença, sobretudo quando falta o exercício humilde da autocrítica, pode assumir rapidamente a forma de doutrina fechada e dogmática. Neste âmbito, transforma-se em fundamentalismo religioso, padecendo do mesmo limite de outras religiões mundiais. Por outro, sua mensagem, quando compreendida e experienciada de modo dialógico e aberto, torna-se fermento, transformando a vida das pessoas.

O que há de tão significativo na mensagem de Jesus Cristo que a faz atravessar milênios e manter-se viva e inflamante até os dias atuais? O que podemos ainda aprender com o conteúdo de sua mensagem? O que ainda nos fascina é a simbologia do Verbo que se fez carne e habitou entre os seres humanos, assumindo as feições humanas e incorporando a luta contra suas próprias fraquezas. É a faceta humana do Verbo, que ao habitar entre os seres humanos, assume a precariedade e a finitude da condição humana. Por isso, simboliza a luta humana incessante para dominar os sentimentos pequenos e mesquinhos; representa a força do perdão contra a vingança, do amor contra o ódio.

É o testemunho histórico da encarnação divina, semeando exemplo de amor ao próximo e de vida solidaria em pequenas comunidades. Sua mensagem de amor e de respeito incondicional ao próximo extrapola as fronteiras do próprio Cristianismo. Não é uma mensagem dirigida exclusivamente ao cristão, ao católico, mas à humanidade inteira, inclusive àquela que não acredita no Deus cristão. Sobretudo em tempos ecumênicos e de pluralismo religioso, não pode requerer para si o monopólio da verdade.

Testemunho de vida alicerçada na busca frequente pela coerência entre dizer e fazer, despojamento das coisas materiais, profundo sentimento de amor ao próximo e a si mesmo, respeito pelo outro manifestado na crença pela vida em comunidade, estes são alguns dos valores inerentes à figura de Jesus Cristo. Não perderam de modo algum sua atualidade. Nós ainda precisamos deles, talvez mais do que na época de Jesus, porque hoje se acentuam enormemente o individualismo, a incoerência entre o que é dito e o que é feito e, principalmente, o aumento desmesurado da soberba e vaidade humana.

Todos estes sentimentos humanos torpes se aliam, do ponto de vista social, com a corrupção, injustiça, a pobreza e a fome.

Festejamos mais uma vez, nesta semana, o nascimento de Jesus Cristo. É uma festa que carrega consigo a dimensão meditativa, de avaliação da vida, do que fizemos e deixamos de fazer. Meditação como diálogo profundo consigo mesmo na presença de outros, conduzindo a transformações, tanto ao festejar boas conquistas, quanto a selar o compromisso de melhorar naquilo que é preciso. Portanto, o Natal permite que se retome meditativamente a dinâmica profunda da vida, marcada por erros e acertos, pois somos, antes de tudo, humanos.



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