DAER: afinal, para que serve?

Postado por: Dilerman Zanchet

Compartilhe
* Dilerman Zanchet - Jornalista

Há alguns anos tenho perguntado, esporadicamente, é verdade, qual a função do DAER e suas atribuições. Ou seja, sua contribuição para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul, já que foi um dos maiores departamentos da já inchada máquina pública. Até agora não consegui assimilar as precárias respostas que obtive e as constantes e inúmeras perguntas que faço. Afinal, para quê serve o Daer?

Há muitos anos (eu sei do que escrevo), o tal Departamento Autônomo de Estradas e Rodagem – não tão autônomo, já que é estatal, era uma verdadeira potência. Não havia nesse Rio Grande amado uma nova rodovia que não fosse construída pelo tal órgão. As estradas de chão batido eram recuperadas, e tudo fluía garbosamente. Só em Passo Fundo, uma “capatazia” empregava centenas de pessoas, grande parte para o serviço operacional, com uma fábrica de tubos, pedreiras e uma série de máquinas pesadas, incluindo oficinas de manutenção e escritórios burocráticos. Os fins justificavam os meios. Havia um engenheiro chefe e vários outros. Os projetos saiam do papel e raramente se encontrava uma estrada esburacada.

Atualmente, a única resposta que o tal Daer dá à população, seja em Passo Fundo, no Chuí ou em qualquer outra paragem desse Estado, é o de que “nos próximos dias vai abrir licitação para o conserto de tal rodovia”. Justificativa inacreditável.

Dói saber que muitos homens de bem deram sua vida ao Daer, enquanto outros se locupletavam e tiravam o muito de poucos.

Afinal, para quê serve o Daer, atualmente?

Eu respondo: Nem como argumento político. Não ouvi de nenhum candidato à Assembleia ou ao governo, a afirmativa de que iria fazer uma lei extinguindo tal órgão, pela sua completa inviabilidade. Falta coragem, sobram leis e argumentos e falta, também, seriedade para com a coisa pública.

Hoje o Daer é uma “coisa” que ainda abriga centenas de funcionários, cujas tarefas são exclusivamente burocráticas. Me disseram que trabalham somente na análise de licitações e outras funções. Essas outras devem ser a folha de pagamentos, diárias, vantagens e etc. Deixo uma pergunta: Licitar o quê, se o cofre do Estado está mais raspado que nunca?

Para não se alongar, e por desejar continuar esse assunto nos próximos textos, escrevi e enviei, como assinante, um e-mail ao setor de Cartas do Leitor, da Zero Hora, sobre reportagem publicada em um ZH Dominical, a respeito de um “quase” Raio X do Daer. Não sei quais os motivos, mas minhas observações não foram publicadas. E na referida reportagem há um grande equívoco. Nada consta, em nenhuma linha, algo a respeito do Daer em Passo Fundo. Reproduzo aos leitores desse humilde espaço e prometo voltar ao assunto:

“Muito oportuna e interessante a reportagem de ZH Dominical sobre o sucateamento do DAER no interior do RS.

Porém, acredito que por equívoco ou outro fator, não foi citada na mesma, que em Passo Fundo está situada a 6ª Superintendência do órgão, antes chamada 6ª Capatazia, quando engenheiros chefes eram considerados os "capatazes". Esse órgão tem dois grandes imóveis, um na área central da cidade, onde funcionavam os escritórios, cooperativa dos funcionários, etc. Atualmente o imóvel é utilizado pela Polícia Rodoviária Estadual.

O outro imóvel, onde havia fábrica de tubos (para as obras rodoviárias), britagem, depósito e estacionamento de máquinas pesadas e caminhões, incluindo residência de funcionários, hoje tem um batalhão da PRE, algumas residências que resistem ao tempo e uma grande área ociosa.

Seguramente são mais de R$ 10 milhões em imóveis, à mercê do tempo. 

Há que se dizer que o órgão, mesmo sem finalidade específica conforme consta na reportagem, mantém um quadro de funcionários com engenheiros, engenheiro chefe e outros, em Passo Fundo.

Uma clara demonstração do mau uso do dinheiro público".




Leia Também 33º Domingo do Tempo Comum. O Enart, de novo! A importância de ter uma recepcionista/secretária preparada em seu consultório. Feito é melhor que perfeito