A esperança de um Novo Ano

Postado por: Cláudio Dalbosco

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Nesta semana de passagem de ano, somos tomados pelo sentimento de retrospectiva. Nos esforçamos para relembrar os acontecimentos do ano que se finda. O que de decisivo aconteceu, conosco, com quem nos está próximo e, enfim, com o mundo no ano que está findando? Inevitavelmente se põe a pergunta se o que fizemos foi o suficiente, isto é, se não poderíamos ter dado um pouco mais de nós mesmos? O governo e a sociedade, as instituições, não poderiam ter sido melhores do que foram?

De qualquer sorte, comemorar o fim de mais um ano tem certa semelhança com a comemoração do próprio aniversário. Somos remetidos imediatamente a um passado mais próximo, mas também a um mais distante. O mais próximo, referente ao próprio ano que transcorreu e como nele vivemos. O passado mais distante, ao processo histórico e à tradição cultural e social da qual fazemos parte.

Mesmo que no plano individual cabe a cada um fazer sua própria avaliação, ela nunca é pessoal e individual no sentido restrito do termo, porque a vida humana é uma amalgama das relações sociais. Neste sentido, temos um passado que é nosso, mas só o é enquanto uma pequena partícula do processo histórico e da tradição cultural da qual pertencemos. É por meio deste sentimento de pertença ao todo social e ao mundo ambiente (cosmo) que podemos avaliar mais serenamente o que fomos, o que somos e o que pretendemos ser. Observe-se que a passagem de ano, quando pensada seriamente, nos remete à dança incontornável entre passado, presente e futuro e à nossa inserção na ordem das coisas.

O ano de 2015 não foi nada fácil para nós, brasileiros. Consolidou a passagem da euforia à frustação, do sentimento otimista de que as coisas teriam encontrado, nestes últimos anos, um “certo rumo”, à decepção de que fomos enganados, de que o lamaçal em que nos encontrávamos era mais grudento e sujo do que imaginávamos. 2015 ficará marcado como ano em que a corrupção política se escancarou de modo virulento. A única coisa a ser comemorada, neste sentido, é que ela se tornou pública, intensificando ainda mais o desejo por mudança, nas formas de vida e na forma de governo.

O Fim de Ano também é momento de pensar no próximo ano. A expressão habitualizada “Feliz Ano Novo” carrega consigo o sentimento de esperança, de que todos tenham saúde, possam contar com mais sorte, enfim, que as coisas sejam melhores. Sobretudo, que a sociedade e os que nos governam sejam mais virtuosos, pensem mais no público, menos nos interesses partidários e individuais.

De outra parte, sabemos que a esperança individual e coletiva só ganha força com nosso próprio envolvimento. Se não houver a disposição de interferir no raio de ação que depende de nós, as mudanças serão feitas para nós, mas não por nós. Toda política de inclusão social que não levar em consideração este princípio ético e pedagógico, assume forma rudimentar de clientelismo paternalista. Se não há educação para a maioridade, as pessoas permanecem subservientes; não ocorre transformação, mas subjugação, sutil e disfarçada.

Pelo que se anuncia, 2016 será um ano ainda mais difícil; não podemos nos iludir quanto a isso! Por isso, exigirá de cada um de nós ainda mais força e empenho para atravessar o caminho “pedregoso” e cheio de curvas. Que sejamos fortes para opor ao pessimismo de nossa inteligência o otimismo de nossa vontade.

Feliz Ano Novo!


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