Governador, devolva meu dinheiro!

Postado por: Dilerman Zanchet

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            * Jornalista Dilerman Zanchet.

Governador Sartori, devolva meu dinheiro, pois eu não sou responsável (Não está escrito em lugar nenhum, tanto na Constituição Federal, como em minha Certidão de Nascimento e nem na Bíblia), e nem obrigado a manter a estrutura do Estado, em nenhuma das suas esferas. Sim senhor, governador: Não quero e não acho justo pagar a conta de tanta incompetência, seja sua ou dos governos anteriores – e quando me refiro a governo, incluo aí a esfera federal, cujos mandatários, em mais de 500 anos, não conseguiram reduzir a máquina administrativa, aumentando assim os impostos que nós – eu e os demais cidadãos de bem, pagamos e não temos retorno algum. Aliás, temos sim. O retorno que obtemos é o de ver funcionários públicos, em alguns setores, ganhando mais, muito mais que ganharia se estivesse no setor privado. Com regalias que eu jamais alcançarei jamais na iniciativa privada. Há sim: Se eu e mais os milhões de brasileiros saíssem da iniciativa privada para compor os quadros públicos, o que seria desse país?

E o senhor não abe dizer outra coisa? Já faz um ano, governador, que o senhor assumiu com a promessa de mudar isso. E não me fale em milagres, por favor. O senhor não abastece? Não paga luz, água, gás?

Mas, enfim, a conversa é entre nós: esse humilde escravo das letras e Vossa Excelência, Governador do Estado. Há alguns meses chegou à sua mesa um artigo meu (sei que chegou, pois tenho minhas fontes), implorando pela venda de estatais deficitárias e inoperantes. Queria eu, como um gaúcho de coração, que o senhor, ao menos, tivesse a ousadia de propor publicamente a extinção de algumas dessas coisas que chamamos de “cabide de empregos”. Nas últimas horas do ano, porém, enviou à Assembleia (que o senhor tem na mão e, por isso, nem tão independente assim como alardeiam), um projeto – aprovado, extinguindo a Cesa, mas deixando existir Daer, Corag e outras tantas autarquias que nada fazem pelo Rio Grande. E se o fazem é muito pouco.

Por isso que, repito, devolva meu dinheiro, governador. O senhor não pensou no povo gaúcho quando deixou de propor ao Legislativo a redução de cargos, salários e benesses, mudando uma lei arcaica que só beneficia a alguns. Também nada fez em relação ao outro poder, o Judiciário, que não fica muito atrás quando se fala em benefícios.

O pior, governador: Acreditamos (eu e a maioria do povo gaúcho), que o senhor seria uma espécie de tábua salvadora dos desmandos que estavam ocorrendo no Rio Grande do Sul, quando aumentaram salários no apagar das luzes, sucatearam a estrutura toda, quebraram o caixa, quebraram cancelas de pedágios e usurparam nossa confiança. Acreditamos que haveria solução e que o senhor, candidato que era, saberia como lidar com isso. A grande decepção foi essa. Viramos o ano pagando mais. E muito mais.

Pagar quase 60 centavos a mais pela gasolina, mais em IPVA, mais em telefonia, mais em luz, água, termos menos e piores estradas, serviços, etc em relação à Santa Catarina, nos soa quase como uma vergonha, governador. Essa zombaria tem que acabar. O povo gaúcho não merece isso. O caminho para resolver o senhor, como governador, já deveria saber. É só criar coragem. Deixe a Tumelero resolver os problemas dela. E deixe o povo gaúcho um pouco – só um pouco, feliz, governador.

Envie outro projeto para a Assembleia, que o senhor tem em mãos: Mande um para reduzir alíquotas e impostos. Deixe o povo que o elegeu um pouquinho feliz. Até quem não votou no senhor, ficará.

Por favor, devolva meu dinheiro, governador.


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