A extorsão aos argentinos

Postado por: Dilerman Zanchet

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Brasileiro não é um povo fácil. Brasileiro quer levar vantagem em tudo. E de todas as formas. Não creio que exista ética – palavra definida como “segmento da filosofia que se dedica à análise das razões que ocasionam, alteram ou orientam a maneira de agir do ser humano, geralmente tendo em conta seus valores morais” – conforme dicionário.

Nossos valores morais são tão eloquentes e bons da cintura para cima. Quando ultrapassa esse limite e chega ao bolso, distorcem-se as razões, afundam-se os valores e princípios e cada um tenta tirar uma casquinha do seu próprio jeito. Refiro-me às ações cotidianas, do dia a dia e que resumem as palavras deste texto. Queremos levar vantagem em tudo: na fila do banco (tem gente que aluga crianças para furar a fila), no papel de bala ou bituca do cigarro jogado na rua, na troca de preços do “súper”, nas mais usadas ações. E nem me refiro à Lava Jato. É triste.

O litoral do sul do país bombou nesse verão. Milhares de argentinos cortaram nossas mal conservadas rodovias para aproveitarem as belezas naturais de santa Catarina, do Rio Grande do Sul e até ao Paraná eles rumaram. Com os bolsos cheios de dólares, que lá equivale a um por um ($1, é igual a um peso). Os argentinos fizeram a festa. Nas mais badaladas praias de Santa Catarina, um prato com carne, arroz, feijão e um ovo frito, o popular PF, em restaurante não chique, chega a custar em torno de R$ 45. O custo de produção não chega a R$ 15. Para o leitor ter uma ideia, naquele restaurante instalado na água, na Barra Sul de Balneário Camboriu, o preço de um prato fino de frutos do mar ultrapassa, de longe, a garrafa de vinho que Lula está acostumado a tomar. A vista é belíssima, mas o estômago embrulha com o preço. Vi em um mercado de Itapema, uma picanha de 1,4 kg com preço de R$ 129,00. Tudo bem. Cada um come o que quer e sabe o que tem no bolso. Porém, duvido que na baixa temporada esses preços também sejam praticados.

O que quero dizer é que nós, brasileiros, costumamos criticar os argentinos, tanto em suas ações no trânsito, nas estradas, como nas ruas das cidades do litoral. No entanto, de uma forma quase vingativa, os brasileiros “metem a faca” nos bolsos deles. Esquecem que, se houver uma revolta, se eles não vierem, muita gente sai prejudicada. Aconteceu recentemente. Há poucos anos, eles não vinham, pois a crise gerada pelo governo da “tia Cristina” só não foi pior que o nosso atual.

Sem os argentinos, que costumamos hostilizar, não teríamos uma cidade que movimenta mais de três bilhões de reais por dia, considerando desde as multas de trânsito até o picolé vendido nas areias poluídas de Balneário. Mas nós, brasileiros, não vemos por esse ângulo. Vislumbramos, é certo, a chance de espoliá-los. De extorqui-los de qualquer forma. Até que eles se revoltem e não voltem mais ao nosso litoral.

Sugiro que os comerciantes e autoridades brasileiras pensem bem e entendam que não é ético aviltar os preços por conta dos argentinos. Pois, além de estarem predicando a eles, estarão metendo a mão no bolso dos brasileiros, também.

E pensem bem, pois agora eles têm um professor na arte da revolução: D’Alessandro voltou às origens e vai orientá-los a não serem extorquidos pelos brasileiros.


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