Quaresma e Campanha da Fraternidade – continuação

Postado por: Ari Antônio dos Reis

Compartilhe
A Campanha da Fraternidade, ao tratar do saneamento básico, sugere um desdobramento do compromisso com a casa comum, proposta pelo Papa Francisco na Encíclica Laudato Si, e assumida na caminhada quaresmal. A atenção ao saneamento básico, compreendido “como serviços públicos de abastecimento de água, o manejo adequado dos esgotos sanitários, das águas pluviais, dos resíduos sólidos, o controle de reservatórios e dos agentes transmissores de doenças”, ajuda a manter a integridade do planeta Terra.

Para afirmar que temos condições mínimas de vida saudável em nossos municípios, haveríamos de ter todas as dimensões estruturantes do saneamento básico atendidas, o que não acontece no Brasil. Cito dois exemplos que comprovam esta constatação. Primeiro: pouco mais de 82% da população brasileira tem acesso à água potável e uma perda, em média, de 37% de água tratada. É desperdício de água, recurso finito e desperdício de dinheiro público, que financia o tratamento desta água. Segundo: apenas 39% do esgoto coletado é tratado, o que leva a deduzir que 61% é jogado na natureza sem tratamento o que facilita a proliferação de doenças.

A proposta da Campanha da Fraternidade tem um caráter provocativo da conversão pessoal. Pergunta o que cada cidadão faz, nas suas práticas cotidianas, para contribuir com o cuidado com a casa comum. Mas também tem um aspecto de exercício da cidadania, que diz respeito a exigir o direito ao saneamento básico integral e universal, compromisso do Estado brasileiro.

Pouco saneamento implica em pouca saúde, pouca qualidade de vida e o aumento da degradação do planeta Terra, a nossa casa comum.


Leia Também Sustentabilidade Empresarial Semana da Família! O Fusca na guerra A visita do compadre