Política e agir cidadão

Postado por: Ari Antônio dos Reis

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As manifestações desta semana têm revelado a reação de parte da população à gravidade da situação do Brasil, que vai além da crise nas esferas político e econômica. Qualquer juízo apressado sobre o fenômeno das manifestações carrega o risco da contradição, pois a dinamicidade e complexidade da situação sugere a análise criteriosa, além do que a mídia apresenta.

Em 2013 a população foi as ruas com uma série de reivindicações. Muitos analistas tiveram dificuldades em sugerir uma linha de compreensão daqueles fatos. A forma inovadora dos protestos e a sua articulação, diferenciada do que estávamos acostumados a ver em manifestações, foi surpreendente.

No ano seguinte foram eleitos deputados e senadores, que no exercício do mandato parlamentar, se mostraram alheios aos desejos da população. Aconteceu a desconexão entre o cobrado em 2013 e a pauta dos legisladores eleitos em 2014. Na esfera do executivo assistimos, em nível federal e estadual, governantes com serias dificuldades em sugerir um rumo para seus governos, penalizando ainda mais o povo.

É bom refletir sobre as motivações que tem levado a população às ruas. Concordo plenamente com a crítica à forma como os partidos têm exercido a representação política, muito longe da preocupação com o bem comum. Isto chegou a tal ponto que alguns partidos criaram um método sofisticado de sangrar os cofres de estatais em seu benefício.

Protesto social é uma forma de agir político. É exercício da cidadania, garantido constitucionalmente em um pais democrático. Para os saudosos da ditadura cabe recordar que tais processos não aconteciam na época. Contudo exige um agir consequente para que tais protestos não se limitem a um passeio cívico, mas evoluam para o debate sobre modelo de Estado que temos e na forma como têm sido exercidos os mandados eletivos no executivo e no legislativo.

Emerge também a pergunta sobre a contribuição de cada cidadão para que o exercício da política, partidária ou não, seja voltado para o bem comum e não para manter privilégios ou processos de corrupção deste ou aquele grupo.




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