Nós X Eles

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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O Brasil encontra-se em polvorosa, afundado em uma crise política e econômica sem precedentes, “jamais vista na história de nosso País”. Estamos vendo diariamente, políticos e empresários do mais alto escalão, sendo trancafiados, presos e algemados pela Polícia Federal (Operação Lava Jato), que está desmascarando velhas “raposas” de um sistema criminoso de corrupção, lavagem de dinheiro e desvios de verbas públicas. Inflamados por “lideranças” acuadas pelas denúncias, os brasileiros dividiram-se em dois grupos: os que apóiam o governo e o ex-presidente Lula, e os que defendem as ações da Polícia Federal e a aprovação do impeachment da Presidente Dilma.

Os defensores do governo do PT, alegam estarmos diante de um “Golpe de Estado”, fato este, que até a Suprema Corte descarta, pois o processo de impeachment, segue os critérios e o rito legal, garantidos constitucionalmente. O procedimento, garante os princípios do contraditório e da ampla defesa, promovendo de maneira democrática, o debate entre as partes. A instauração de um processo de impeachment, não é algo inédito em nosso País, vivenciamos um procedimento semelhante durante o governo Collor, o qual foi afastado com parecer favorável do Congresso e o amplo apoio popular da “Geração Cara Pintada”, que foram às ruas pedindo o “Fora Collor”.

A situação atual, embora seja o objeto do impeachment, semelhante ao do ex-presidente Collor, divide o povo brasileiro em duas trincheiras: os que defendem o governo a qualquer custo, com o argumento de estarmos diante de um golpe contra o governo e a classe baixa, e do outro lado, os que defendem a moralidade, a prisão dos corruptos, a investigação dos denunciados e o afastamento da presidente Dilma através do impeachment. Eles também defendem a Operação Lava Jato e o Juiz Sérgio Moro, reivindicando autonomia e continuidade aos trabalhos da Polícia Federal.

Esta polarização da população, se dá em virtude da grande popularidade do atual governo e à expectativa que se tinha em um governo que chegou ao poder com o lema: “A esperança vai vencer o medo!”, levando milhões de brasileiros a idealizarem e idolatrarem os atuais líderes eleitos, como verdadeiros “Salvadores da Pátria”, pessoas que estariam acima do bem e do mal, que jamais iriam se corromper e trair o povo brasileiro, pois eram líderes que emergiram do povo, dos movimentos sociais. Esta imagem vislumbrada pelos eleitores, ainda está muito arraigada no imaginário de boa parte dos brasileiros, o que explica a paixão nos discursos e nas defesas feitas ao governo. Este posicionamento antítese dos movimentos, tem tencionado o clima dos debates nas ruas e no Congresso Nacional.

O governo segue como um paciente na UTI, dependendo dos “aparelhos” para respirar. O que transparece, é que não há um rumo certo, aliados abandonando a base do governo, nomeações de ministérios sendo contestadas judicialmente e impedidas pela justiça, além dos escândalos que não param de ser revelados a cada dia pela Polícia Federal, desmascarando velhas lideranças da política nacional. A Polícia Federal comandada pelo Juiz Sérgio Moro, segue fazendo sua parte e a cada fase da Operação Lava Jato, surpreende a todos os brasileiros com o número de autoridades envolvidas e a revelação dos altos valores desviados do patrimônio público. O povo assiste a tudo com olhar atônito; o desencanto com a política e com as lideranças envolvidas é algo desolador, estamos envergonhados com a falta de caráter e pudor de nossos governantes.

Tudo se encaminha para o desfecho final. Este final de semana será decisivo, pois o processo de impeachment aprovado pela Comissão da Câmara dos Deputados, agora vai a votação da plenária e se aprovado por ampla maioria, vai ao Senado. Esperamos que se faça justiça, que não fique pairando pelo ar uma sensação de impunidade, e que o povo brasileiro saia deste conturbado momento político, fortalecido, unificado, politizado e com credibilidade nas instituições públicas. “Precisamos voltar a ter esperança e confiança em nossos governantes”.



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