Pensando o Brasil

Postado por: Ari Antônio dos Reis

Compartilhe
Na próxima sexta feira, 15 de abril, encerra-se a 54ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil. Recordava no artigo da semana passada a reflexão sobre a presença dos leigos e leigas na missão da Igreja no Brasil. O resultado deste trabalho será publicado brevemente.

Os bispos estão tratando outro tema pertinente. Trata-se da realidade brasileira em uma perspectiva histórica, mas conectada com a atual conjuntura. Este é o terceiro ano em que se trata esta temática durante uma Assembleia, publicada posteriormente na coleção “Pensando o Brasil”. A primeira refletia o processo eleitoral brasileira com o título “desafios diante das eleições-2014; a segunda tratava da realidade social econômica sob o título “a desigualdade social no Brasil”. Tais reflexões revelam o pensamento do episcopado brasileiro sobre os temas. Cada texto é finalizado após intenso debate entre os bispos, de maneira que reporte aquilo que é preocupação dos bispos.

Neste ano a reflexão trata das crises pelas quais o Brasil tem passado, a saber a cultural, caracterizada pela crise de valores; a crise econômica, devido a hegemonia do mercado financeiro sobre outras formas de agir econômico; a crise social, no que diz respeito a erosão dos direitos sociais; a crise política, devido ao enfraquecimento das instituições garantidoras de democracia.

A Doutrina Social da Igreja contribui na análise destas dificuldades. Existe uma reflexão eclesial sobre os fatores geradores da crise e as que sugestões para a sua superação. Segue o que está em deliberação pelos bispos na linha de sugestões para a nação brasileira.

Diante da crise cultural considerar o imperativo ético do cuidado, defendido pelo Papa Francisco na Encíclica Laudado Si, aliado ao princípio da alteridade, o exercício de colocar-se no lugar do outro. No campo econômico buscar a equidade na relação entre democracia e mercado. A democracia não pode ser refém do mercado. Os projetos de governo, seja qual for a orientação, não podem estar submissos aos ditames do mercado, pois nem sempre são condizentes com a democracia e a justiça social.

No caso da crise social, lembrar que uma das funções do Estado é viabilizar políticas públicas em benefício da população, especialmente os mais pobres, com a ampliação da participação social. A democracia fica mais pobre quando em um país, diversificado como o nosso, os canais de participação social sobre questões tão importantes ficam sob a responsabilidade apenas do Congresso Nacional.

No campo político, enquanto cidadãos, temos a tarefa de fortalecer nossas instituições porque elas são a garantia de um país democrático e justo. O equilíbrio econômico e social é base para o desenvolvimento do país considerando a justiça social e o fortalecimento da cidadania.

A leitura destes textos é uma boa iniciativa se queremos saber o que pensam os bispos brasileiros sobre o processo histórico do Brasil e as sugestões para a superação das dificuldades nos diferentes setores da sociedade.




Leia Também A goleada estranha do River O "arrastão" agora é da polícia! A vez de o Grêmio ser prejudicado Série Prata: de sétimo para o segundo lugar!