A segurança depende da superação do modelo cartesiano

Postado por: Israel Kujawa

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A construção da segurança pública, no contexto social atual, depende de uma proposta para a ressignificação do modelo cartesiano positivista, que organizou o conhecimento em realidades minúsculas, produzindo especialistas e dificultando as relações delas entre si e com os problemas humanos concretos.

Para que a superação do referido modelo aconteça, se faz necessário uma inversão epistemológica consciente, que é a substituição dos referenciais para a análise dos acontecimentos e para a construção do conhecimento. Neste modo de elaborar conhecimentos o ponto de partida deixa de ser uma realidade minúscula, como por exemplo uma área (sociologia, direito, matemática, genética ou psicologia) e passa a ser o cotidiano vivido. Entre estes fenômenos do cotidiano, se evidencia a segurança.

O desejo de segurança que está presente na origem da história coletiva do ser humano, permitiu a perpetuação da espécie e a evolução tecnológica. As técnicas de produção de alimentos, de construção de casas e de meios de transporte, são permeadas pela busca de segurança. Na dimensão individual, a procura por segurança se confronta com a liberdade de autoconstrução, de autoconhecimento e de autorrealização. Todos, de alguma forma, já vivenciamos a dificuldade de limitar a fronteira entre segurança e liberdade ao sugerirmos, determinarmos, realizarmos ou deixarmos de realizar algo.

A segurança pública é um fenômeno que não está limitado a uma especialidade do conhecimento como o direito, a sociologia, a genética ou a psicologia. Por isto, uma compreensão adequada desta realidade, em que os fenômenos das inseguranças estão incluídos, não se dará a partir de um recorte teórico, deve partir do desejo humano contraditório, que confronta os limites entre segurança e liberdade, incluindo seu histórico, sua situação atual e de suas projeções.





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