Nossos representantes!

Postado por: Ari Antônio dos Reis

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No domingo à tarde, ao finalizar a votação da admissibilidade do processo do impedimento da Presidente da República, o presidente da Câmara dos Deputados ao declarar seu voto usou a expressão “Deus tenha misericórdia do Brasil”. Tal expressão pronunciada por uma pessoa da estirpe de Eduardo Cunha soou estranha e fechou com “chave de ouro” um dia de surpresas para a população brasileira. Muitos esperavam a aprovação do impedimento, mas cabe analisar a quem esta função foi delegada.

O que víamos e ouvíamos parecia coisa de “outro mundo”. Durante a proclamação dos votos fez-se poucas referências aos motivos alegados pelo relatório do impedimento da presidente. De resto apareceu de tudo. A mídia mostrou ao Brasil a qualidade dos parlamentares eleitos no pleito de 2014, muitos com pendências na justiça, contudo um retrato das consequências da atual democracia meramente representativa brasileira.

Não existe comprovação de corrupção da presidente. O que existe é uma séria dificuldade em governar, pelos processos de aliança construídos, pela qualidade do ministério e um projeto de governo equivocado, que onera cada vez mais a população brasileira. Por outro lado, caso o impedimento se concretize teremos na linha sucessória da presidente parlamentares com processos de corrupção, já comprovados, aguardando a sua finalização pela justiça, como os envolvidos na Lava Jato, operação que poderá ser comprometida.

Diante destes fatos surgem duas preocupações: a primeira diz respeito às medidas adotadas por um possível governo Temer. Está publicado o texto “Ponte para o futuro” que discorre sobre estas. Como o impedimento foi acordado pelo vice-presidente com diferentes setores da sociedade, certamente há uma fatura a ser paga que poderá ter como prioridade a flexibilização das leis trabalhistas e a relativização dos direitos sociais sob o argumento de que não há orçamento para responder ao que é garantia constitucional. Toda a atenção é necessária para estas possibilidades.

Também se evidencia necessidade da Reforma política. Não é possível sonharmos com um Brasil justo e solidário com este tipo de representação no Congresso Nacional. Confiar a parlamentares, com este nível de compromisso social, questões que envolvem toda a nação brasileira é uma temeridade.

Nossa democracia é jovem. Cuidemos dela com tanto carinho e não a maltratemos... Nem usemos o nome de Deus em vão!


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