Papai Noel não existe?

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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Um dos maiores traumas da infância de qualquer criança é o dia em que se descobre que Papai Noel não existe. Realmente é um momento difícil e triste em nossas vidas, do qual faço uma analogia com o momento político atual, onde milhões de brasileiros, com a esperança de dias melhores para o nosso País, acabaram frustrados e decepcionados com o governo. Acreditamos em pessoas, em líderes com discursos eloqüentes, democráticos e socialistas. Estes líderes transformaram-se em ídolos, verdadeiros mártires de nossa história política, desconstituídos por suas condutas ilícitas e gananciosas.

Os brasileiros viveram momentos de esperança no início do governo Lula. A economia pujante, a ascensão das classes econômicas mais baixas, o acesso ao crédito, a educação de nível superior, aos bens de consumo e a uma qualidade de vida confortável, empolgavam e fascinavam o povo. A esperança havia vencido o medo. Este sonho, aos poucos foi se transformando em pesadelo, e o que antes parecia ser um projeto consistente e com sustentabilidade, se revelou em um programa pragmático de poder, onde o único e verdadeiro motivo era a manutenção e perpetuação de um partido no comando do governo. O aparelhamento dos partidos e das instituições que os apoiavam, das campanhas políticas e das “benéfices” pessoais dos envolvidos, foram reveladas detalhadamente pela Polícia Federal, que segue fazendo seu trabalho, tornando público cada descoberta ou ato público ilícito, desvendado pelas operações. O comércio e a indústria, estão sentindo na pele o preço da crise. Muitos não resistirão a este momento crítico da economia e tendem a fechar as portas. Os funcionários públicos, agonizam juntamente com suas instituições, sentindo o peso do sucateamento dos órgãos públicos, tanto no aspecto material como humano, agravando a cada dia a sensação de insegurança da sociedade e dos próprios servidores, que não conseguem nem mesmo receber seus salários em dia.

O governo que ainda se diz de esquerda, entregou o discurso da moralidade para a oposição. Nunca foi tão fácil fazer oposição como está sendo hoje. Os discursos contra o governo, ganham fôlego a cada denúncia ou delação, sem contar com o clamor público das ruas, que cresce a cada dia, legitimando as ações da oposição. As lideranças do governo, que até bem pouco tempo eram ovacionadas pelas massas, hoje são hostilizadas e massacradas pela opinião pública e pelo povo nas ruas. A militância também está constrangida, acoada e com dificuldades de fazer a defesa de seus companheiros envolvidos. Na falta de argumentos para o debate de idéias, o que se vê são atitudes irracionais de agressões físicas e verbais; atitudes antidemocráticas, flagradas e reveladas pelas redes sociais, praticadas por personalidades que jamais imaginávamos que pudéssemos ver. Os chamadas “intelectuais” governistas, perderam o tom do discurso, estão partindo para a cusparada no rosto dos opositores, independente do gênero e da idade dos mesmos. É visível o constrangimento no Congresso e nas ruas, e, os que se arriscam a fazê-la, a fazem com a certeza de que irão pagar um alto preço por este posicionamento nas próximas eleições. De uma coisa temos certeza nesta crise política: a quebra de alguns paradigmas históricos, que sempre fizeram parte dos discursos políticos. Um destes paradigmas diz respeito a luta pela democracia durante o regime militar, fato este que está sendo desmentido pelos próprios guerrilheiros da época, como Fernando Gabeira e Eduardo Jorge, que revelam em entrevistas, que jamais lutaram pela democracia, mas sim, pela ditadura comunista do proletariado.

A verdade pode ser dura e frustrante, porém, deve prevalecer acima de tudo, independente de partido “A” ou “B”, o que devemos fazer neste momento é buscar a punição e a responsabilização dos denunciados, até porque, os partidos e os programas de governo, devem ser priorizados diante de questões personalíssimas de lideranças envolvidas. Por mais dolorosa e traumática que seja a desconstituição de um “Líder”, que se revelou um ganancioso e ardiloso vilão, devemos clamar por justiça e punição aos culpados, banindo estes, da vida pública e dos quadros políticos.



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