As relações pedagógicas devem considerar a transdisciplinaridade

Postado por: Israel Kujawa

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As certezas consolidadas pelas áreas especificas do conhecimento, legitimas em disciplinas, não respondem, de forma satisfatória, aos questionamentos sobre o ser humano, sobre seu contexto e sobre seu comportamento. Para buscar respostas sobre a própria condição, o ser humano deve partir de si mesmo, do seu meio e do seu modo de vida, abdicando das certezas previamente estabelecidas e divulgadas.

Ao buscar referências de métodos ou técnicas para a construção do conhecimento, uma das primeiras e mais conhecidas alusões do pensamento ocidental foi formulada por Sócrates, que viveu aproximadamente quatro séculos antes de Cristo. Suas ideias e sua história são apresentados por um dos seus discípulos que é Platão. Por meio do diálogo, este pensador constituiu uma técnica reconhecida como maiêutica. Seu ponto de partida para a construção do conhecimento era o próprio ser humano em seu contexto, transformando certezas em dúvidas.

Vivemos em um período em que precisamos fortalecer as convicções sobre a necessidade de superar concepções positivistas, orientadas pela fragmentação e pela dualidade corpo-mente, pensamento-sentimento, ciência-espiritualidade. O reconhecimento da insuficiência dos modelos educativos organizados a partir de especialidades, agregadas em disciplinas, estão sendo evidenciados nos argumentos dos modos colaborativos de construção do conhecimento. Para ir além ou transcender a disciplina, o professor deve deixar de ser uma fonte de respostas e assumir a posição de questionador. Ao incentivar o estudante a ter dúvidas desenvolverá nele a capacidade de aperfeiçoar suas próprias análises e consequentemente ampliará a sua capacidade de pensar.

Deste modo, a fragmentação do conhecimento em disciplinas, consolidada no século XIX com a formação das universidades modernas, que legitimou a compartimentalização dos currículos, não responde as demandas apresentadas no século XXI. A transdisciplinaridade sugere a construção do conhecimento a partir de situações problemas. Põe em segundo plano as certezas dos conhecimentos fragmentados em uma disciplina e se apresenta com uma boa alternativa para a orientar as relações pedagógicas.




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