O mil e o milhão

Postado por: Cristian Queiroz

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*Rodrigo Accorsi


O mil e o milhão são primos, bem distantes, é verdade, mas são primos. Eles estão em todos os ramos da economia. Em qualquer lugar, em qualquer tipo de prestação de serviço, sempre haverá a do mil e a do milhão. A opção da maioria, claro, é pela do 'mil', e nem preciso explicar o motivo. Além de ser barata, a do mil está sempre perto. Aqui na esquina, você consegue a do mil, sem qualquer tipo de dificuldade. Satisfaz sua necessidade naquele momento e por vezes dura um pouco mais de tempo do que era esperado, o que até faz com que aquele que comprou/contratou, conte certa vantagem: “Paguei barato e está aí, funcionando até hoje”.

Com o milhão, a história é diferente. Não se encontra facilmente, ou até sim, mas com ele o buraco é mais embaixo, como dizem. Você pensa não uma, mas cinco ou seis vezes antes de aquiri-lo, porém, a qualidade que o produto lhe proporciona e o tempo de funcionamento com a mesma qualidade, compensam.

No futebol também é assim, tem que ter investimento. Rareiam os casos de times que são campeões com elencos baratos. Normalmente quem levanta taça é porque investiu pesado, porque foi buscar um camisa 10 (onde tem hoje?), um camisa 9 de qualidade, que jogue como centroavante efetivo e meta a bola na rede.

Porque foi buscar um zagueiro eficiente, laterais e volantes que saibam marcar e jogar da forma com que a torcida espera que o façam, tanto em casa, como fora. E um goleiro que não trema nas horas mais decisivas. O grande temor dos dirigentes é a dívida, que pode se tornar impagável ao fazerem contratações de peso. Não pensam que, se levantarem taças, os clubes terão o retorno esperado e não só da bilheteria dos jogos, mas em novos sócios e na venda de camisas e demais produtos.

A partir do momento em que o clube se classifica para uma competição do naipe de uma Libertadores da América, os dirigentes já precisam pensar em contratações que possam corresponder dentro de campo. Aproveitar jogadores da base, não é a solução para esse caso, infelizmente. Buscar jogador de clube rebaixado também não é a solução.

Nem deve-se cogitar a aposta no 'mil' para uma competição com tal importância. A prioridade é o 'milhão'. O jogador que faça a diferença e que dê a resposta no campo de jogo, que ali diga o porquê da sua contratação. Claro que apenas um desses não vai conseguir fazer a diferença. É preciso um time, com atletas que joguem todos em um mesmo nível. Não adianta ter dois, três que façam a diferença e o restante do time formado por pernas de pau.

Foi o que aconteceu com o Grêmio. Não soube fazer o básico para entrar em uma competição como a Libertadores, que é contratar jogadores de qualidade. Não adianta ir com jogadores jovens, mas sem a experiência necessária e com os 'pratas da casa'. Não adianta ir com guris pra uma competição que precisa ser disputada por jogadores experientes. Tem que ter gente 'cascuda'. Mais uma vez eliminado nas oitavas de final da competição mais importante da América do Sul, lamentavelmente.

Agora restam o longo Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil para que o clube, com jogadores experientes, espera-se, possa tentar alguma glória para uma torcida que já está há 15 anos sem um título de relevância. Só pra lembrar do retorno dos altos investimentos: no ano de 1996 a camisa do Grêmio foi a camisa de clube de futebol mais vendida do mundo. Porque? Porque o time entrava em campo e erguia taças! E vejam que não era um time tão caro e nem tinha craques.


*jornalista.


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