Moradias

Postado por: João Altair da Silva

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Acompanhamos no último ano a maior invasão de terrenos na área urbana da história de Passo Fundo.  Passada a última eleição de outubro, mais de 100 famílias invadiram terrenos públicos e privados no Bairro Leonardo Ilha.  

Nos últimos anos foram construídas centenas de moradias. Quem não conhece é bom dar uma volta na Vila Donária, é um verdadeiro canteiro de obras de casas populares. Juntamente com os prédios residenciais da Vera Cruz, Boqueirão, Petrópolis e Planaltina, somam-se aproximadamente mil moradias.  Mesmo assim, calcula-se que o déficit habitacional da cidade ainda é de cerca de seis a sete mil residências.   

Não fosse a ineficiência, ou  mesmo a incompetência dos poderes públicos, seria possível  minimizar quantitativamente  um problema grave e realizar o maior sonho de um ser humano que é ter uma referência geográfica na cidade no final do dia,  voltar para a sua casa depois de uma jornada de trabalho.

Estamos diante de um problema fundiário. Diante de uma grande dicotomia, bens imóveis públicos valiosos de sobra, obsoletos, apodrecendo e de outro lado uma parcela significativa de pessoas sem casas ou residindo em barracos.  Corretores de imóveis da cidade, que são tantos, me ajudem a calcular, quantos milhões de reais vale o terreno  e o Ginásio Teixeirinha, que nunca serviu para quase nada e agora sabe-se  lá até quando vai permanecer interditado?  Quantos milhões de reais valem os terrenos da CESA, cujos armazéns estão abandonados, uma área grande e nobre ao lado do centro da cidade?   Quantos milhões de reais valem os terrenos da CEASA,  ao lado da Efrica, a obra mais inútil que já foi construída aqui pois nunca funcionou, um erro gritante do governador Alceu Collares? Quantos milhões de reais vale o próprio complexo da Efrica que como evento  não existe mais e serve apenas para a realização de uma feira de roupas por ano, porque até o comércio de pequenos animais proibiram e um encontro de fuscas por ano?  Quantos milhões de reais valem as antigas instalações da DEFREC nos fundos do Hospital Municipal, abandonada e desabitada há mais de 15 anos?  Quantos milhões de reais valem esses fartos terrenos do antigo quartel do Exército em pleno coração da cidade que estão servindo apenas  para a criação de capim e insetos?   

    Cito apenas esses exemplos que me vem à memória nesse momento, mas é certo que existem muitos outros imóveis que poderiam ser transformados em dinheiro para financiar a habitação. Se houvesse vontade política, responsabilidade social dos nossos governantes, poderiam unir forças entre os  entes municipal, estadual e federal e transformar essas tantas  áreas nobres e infelizmente hoje inúteis de terras urbanas em loteamentos novos ou conjuntos habitacionais em locais mais baratos da cidade.   Mas não existe unidade entre os governos , a burocracia atrapalha, na verdade, o serviço público é pouco funcional mesmo.  Parece uma utopia ficar escrevendo isso,  mas temos que lembrar que a letargia histórica do Congresso Nacional, foi superada em apenas duas semanas, depois que o povo foi em massa de cara  enfarruscada  para as ruas, pois se tivesse saído  sorridente não teria conseguido nada.

               É incrível a inoperância do poder público.  Na saída de Passo Fundo para Lagoa Vermelha existem  mais de 100 hectares de terras do Estado do Rio Grande do Sul, a chamada Fazenda da Brigada Militar, e é bom que se observe a maior parte nem foi mais cultivada está servindo para criar barba-de-bode, enquanto 20km  adiante há  centenas  de índios acampados na beira do asfaltdo em condições sub-humanas lutando por um pedaço de terra.

             Muitas obras públicas têm um ciclo de vida.  Ao vencê-lo  é preciso que o poder público dê outro destino e não se mantenha inerte.  As obras da Ceasa foram um erro estratégico grave.  Mas, a CESA prestou seu serviço, hoje a rede de armazenamento de cerealistas e cooperativas são muito mais eficientes e o próprio estoque regulador de grãos é feito nessa rede privada.  É inútil ficar sonhando em trazer unidade do Exército de volta, nessa era da guerra tecnológica.  Não existe mais espaço para grandes efetivos militares.  A tecnologia superou a força física humana. 

            Outras edificações  ficarão obsoletas em poucas décadas.  Um exemplo são as creches.  Hoje, ainda há demanda. Os prefeitos estão construindo creches(escolas de educação infantil).  Em 30 anos muitas dessas obras estarão ociosos, sem clientela. Ao menos que sejam transformadas em casas para idosos.  

          A evolução chega.  O que não pode é o gestor público ficar inerte, inoperante e não dar outro destino a um bem público que caiu na obsolescência.


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