Sobre o futuro do Brasil nas disputas geopolíticas

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Os brasileiros estão sendo desafiados a se posicionarem no debate sobre a legalidade ou inconstitucionalidade do afastamento da Presidenta da República. Ocorre que vivemos em um mundo globalizado, em que os rumos políticos e econômicos de um pais são estabelecidos em meio a disputas geopolíticas. Para entender as relações, alinhamentos, desalinhamentos e submissões, nestas disputas, se faz necessário avaliar e aprender com os acontecimentos do passado. Neste sentido, o maior de todos os exemplos, está representado no que ficou reconhecido como guerra fria.

Na guerra fria, o mundo foi dividido em dois blocos, sendo que um era comandado pelos Estados Unidos e outro pela União Soviética. Ao conjunto dos países não era dado o direito de não se alinhar, não se submeter ao comando de um dos blocos. As ditaduras ocorridas na América Latina, incluindo a brasileira, durante a segunda metade do século passado, exemplificam uma forma de intervenção para assegurar o alinhamento e a submissão ao comando de um dos blocos. A dissolução da União Soviética na década de 1980 simbolizou uma nova fase na geopolítica mundial, com o aumento da hegemonia dos Estados Unidos.

No início deste milênio, a organização dos países em blocos, com a Zona do Euro e do Mercosul, se apresentaram como novidades na geopolítica internacional. Para tentar assegurar seu domínio na américa latina, os Estados Unidos criaram a Área de Livre Comércio nas Américas (ALCA). No entanto, na última década, um bloco criado pelo Brasil Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS) se apresentou com uma grande alternativa para a América do Sul.

Uma capacidade mínima de leitura informa que a queda de um presidente e o golpe militar no Brasil em 1964, serviu para o realinhamento e submissão do Brasil aos Estados Unidos. Talvez seja preciso esperar o futuro, para perceber que a instabilidade política, jurídica e econômica, vivida em 2016 tem, entre suas varáveis, o realinhamento (submissão) do Brasil, que decidiu, na última década, construir uma nova alternativa política e econômica através dos BRICS? A resposta para esta pergunta auxilia no debate sobre a legalidade, inconstitucionalidade ou conveniência da queda na nossa Presidente.

Para finalizar, em homenagem a Platão e sua famosa parábola da caverna, este momento histórico nos permite separar a sombra e a realidade. Por comodidade, por conveniência ou por estarem acorrentados em uma caverna, muitos estão vendo apenas as sombras!


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