Obras de Misericórdia Espirituais

Postado por: Ari Antônio dos Reis

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Estamos vivendo o Ano Santo da Misericórdia. É um momento de graça para a Igreja. É o tempo favorável para permear de misericórdia nossas relações respondendo na prática cotidiana a ternura e bondade de Deus. A Igreja, comunidade dos que professam a fé e anunciam o ressuscitado (AT 1,8), revelador do rosto misericordioso de Deus (Lc 15, 1ss), sente-se chamada a aprofundar o processo de saída para viver a experiência samaritana, no cuidado dos feridos da sociedade, os que vivem nas periferias existenciais e sociais (DGAE 6), permitindo que estes experimentem a força transformadora do amor.

Somos convidados a fazer a experiência da misericórdia como caminho de encontro com o Pai misericordioso e como caminho de encontro com nossos irmãos. É um caminho de superação da indiferença que se globaliza e cria cada vez mais barreiras entre nós, especialmente com os pobres. Não é um caminho tranquilo, pois esta condição aos poucos está impregnando nossas relações. As obras de misericórdia permitem o processo de conversão e amadurecimento da fé. Têm um caráter pessoal, mas podem acontecer em uma perspectiva comunitária, visto que as comunidades são convidadas a serem misericordiosas.

As catorze obras de misericórdia são divididas em espirituais e materiais. As obras espirituais são: aconselhar os indecisos, ensinar os Ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as fraquezas do irmão, rezar pelos vivos e defuntos

As indicações por si só se explicam. Elas permitem, enquanto praticadas, a saída de nós mesmos ao encontro do outro. Sugerem a experiência de convivência marcada pela alteridade, no sentido de colocar-se no lugar do outro, dimensão filosófica; e ver Cristo na pessoa do irmão, dimensão teológica (DGAE, 11).

Contribuem para um processo de libertação do fechamento num círculo individualista, equívoco da modernidade, onde o outro tem valor enquanto permite alguma vantagem. A convivência, o diálogo com o outro na perspectiva do serviço tem um caráter libertador e coloca a pessoa no seguimento de Jesus Cristo.

Em terceiro lugar as obras de misericórdia espirituais contribuem para que façamos a experiência do mistério de Deus na convivência interpessoal, a graça transformadora plasmando nossas relações.

Em quarto lugar este exercício semeia entre as pessoas um novo patamar de relacionalidade não mais marcado pela disputa, mas acentuando a cumplicidade solidária caracterizadas pela justiça, paz, reconciliação e fraternidade, demarcando a noção de que o meu próximo é verdadeiramente o caminho para a experiência de Deus.

Possamos viver esta experiência como encontro com Jesus, verbo encarnado mediado pelo encontro com nossos irmãos.


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