A participação e a evolução social

Postado por: Neuro Zambam

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As formas de intervenção social em sociedades complexas e com necessidade de estabilidade política como a brasileira demandam o esclarecimento de muitos aspectos que influenciam diretamente sobre a vida das pessoas, especialmente aquelas que não têm condições de expressar a sua vontade publicamente. O motivo dessa dificuldade específica varia de acordo com a realidade onde uma pessoa, grupo ou cultura vivem e se relacionem.

A evolução moral é necessária e acompanha os diferentes momentos históricos, ora ampliando as condições de interação, outras vezes demandando prudência a fim de aguardar as condições mais favoráveis e, outras vezes ainda, exigindo especificamente dos líderes mais esclarecidos, atitudes mais corajosas com exposição das convicções para causar forte repercussão.

Os lideres existem para isso. São a voz daqueles em situação menos favorável ou mais organizados, dependendo da situação. Outras vezes, precisam perceber e ser a “voz daqueles que não tem voz”.

As formas de participação nas democracias têm seu mecanismo privilegiado expresso nas eleições. Essa é forma tradicional e que foi consagrada em todos os países com a necessidade de ampla participação da população, seja numericamente, seja simbólica ou representativa.

O aumento dos recursos tecnológicos e de comunicação deveriam ter impulsionado novas formas de participação e influência social, mas eficazes e eficientes.

O Brasil passa por este período conturbado, constrangedor e inseguro. As pessoas mais ou menos esclarecidas, seja de qual tendência ideológica, perguntam: Qual o valor do meu voto? Que repercussão social teve a minha participação política? Se não contribui no passado, de que me vale o futuro? Quais são os meus líderes (vejamos os inúmeros casos de corrupção e quais estão envolvidos)?

Essas e outras questões representam a crise política e moral em que vivemos no Brasil e em parte do mundo. Pikety alerta para o aumento das desigualdades como o maior problema da nossa época.

A responsabilidade de enfrentar esses dilemas exige preparação e participação. Nenhuma dessas dimensões é completa, mas se complementam e provocam mutuamente.

Recordo o chamamento de um economista da atualidade: “A participação não é uma bobagem fariasaica” (Amartya Sen).

A percepção desta afirmação, especialmente ao significado da força da comparação, ajuda-nos a exercer nossa responsabilidade política com mais atenção. Participar é uma forma de liberdade.



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