Um VIVA para os jovens estudantes das escolas públicas

Postado por: Israel Kujawa

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Os gestores da educação pública do estado do Rio Grande do Sul devem estar surpresos com as ações de ocupação das escolas públicas. Trata-se de uma reação diante dos retrocessos vivenciados no cotiando escolar. Se na primeira metade desta década as escolas públicas tinham que ser criativas para aplicar uma quantidade significativa de recursos financeiros disponibilizados, hoje as escolas não têm recursos para o básico. Neste contexto, os jovens estão ocupando o seu espaço, exigindo, criando, protagonizando e construindo.

Para quem se interessa (todos deveríamos nos interessar) em compreender o comportamento humano e sua relação com a vida em sociedade sabe que a virada do século veio acompanhada de mudanças causadas, em especial, pelas tecnologias da informação. A escola cumpria, até o final do século XX, a função de repassar informações e desenvolver algumas habilidades necessárias para a vida social e do trabalho. Nos dias atuais, o desejo de uma qualificação pessoal, para atuação reconhecida na vida social, se confronta com anacronismo pedagógico e material do ambiente escolar. Neste contexto, a instituição que simboliza inclusão a ascensão social, não responde as demandas sociais e precisa ser ressignificada.

A sociedade não deve ser entendida como algo natural, imutável ou abstrata, mas fruto da ação humana, materializada em comportamentos coletivos e institucionais. Trata-se de uma construção, fruto das tensões entre as forças que desejam conservar ou que desejam mudar e transforar. Estas tensões podem ser visualizadas no conjunto das instituições bem como no histórico individual de cada pessoa. O confronto entre o conservadorismo e a transformação está sendo pedagogicamente evidenciado no atual contexto em que as escolas públicas estão sendo ocupadas (leia-se comandadas) pelos seus estudantes.

A escola ainda está limitada em disponibilizar “arquivos mortos” em um momento em que as informações são construídas e repassadas velozmente. Os sentimentos, os desejos, as informações vivas devem ser o ponto de partida para construção coletiva da cidadania. O protagonismo dos estudantes e a participação ativa do conjunto dos profissionais da educação é um indicativo de esperança e uma aposta no papel central de uma instituição que deve transformar indivíduos em sujeitos humanos e sociais. Todos estamos sendo convidados a nos somar nesta construção e sensibilizar o comando da gestão da educação pública do Rio Grande do Sul para que as mudanças necessárias ocorram.










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