Aos políticos, os rigores da lei

Postado por: Clovis Oliboni Alves

Compartilhe
A verdadeira justiça, se faz quando se trata de maneira desigual os desiguais. Este é um princípio básico do direito brasileiro, que deveria ser seguido pelos julgadores nos tribunais, onde a aplicabilidade das penas, no julgamento de qualquer crime ou contravenção, deve considerar as condições cognitivas, sociais e culturais do acusado. No caso do envolvimento de políticos em atos ilícitos, estes devem ser julgados, com o maior rigor possível, pelos seguintes aspectos: pleno conhecimento da lei; compromisso pessoal, moral e profissional de trabalhar pelo bem comum, no desenvolvimento de políticas públicas e no zelo da coisa pública.

O interesse pela vida política, desperta-se geralmente muito cedo na vida das pessoas. As primeiras experiências geralmente se dão como representantes de turma na escola, no grêmio estudantil, nos diretórios acadêmicos, associações de moradores, ONGs e sindicatos. Estes são espaços que funcionam como verdadeiros laboratórios, formadores de líderes e representantes políticos. O perfil de um líder, deveria ser de uma pessoa desprendida, sem ambição de fazer “fortuna” na carreira pública, comprometida com os interesses públicos e acima de tudo honesta. Estas características, que eu quero aqui chamar de virtudes, infelizmente são raras de se encontrar nas pessoas em geral, pois vivemos em um mundo capitalista, onde o apelo midiático e social pelo consumo e aquisição de bens, é constante. Quem ousar ficar fora dele, tem que estar preparado para sofrer sérias conseqüências, tendo em vista a universalização da informação, do conhecimento e do próprio comportamento humano, que vive em sintonia e transformação, com as mudanças do mercado nacional e internacional, observando tendências de moda e comportamento, de maneira on line, com o mundo virtual. Seguir um “padrão”, usar grifes famosas, freqüentar lugares requintados, carros importados e jóias caríssimas, tornou-se indispensável aos homens e mulheres públicas, onde o fascínio pela luxúria e o poder , levam as pessoas a extrapolarem os limites da decência, da moral e da lei.

Se observarmos ao longo da história da humanidade, os nomes de grandes líderes que se transformaram em mártir da humanidade, foram pessoas que se destacaram por seus perfis fora do “padrão normal” da maioria da sociedade. Na verdade, a sociedade em geral, admira pessoas com este tipo raro de perfil, que se entregam a vida pública de maneira abnegada, abrindo mão inclusive de projetos pessoais. Eis aí então, a proposição do título deste texto: “Aos políticos, os rigores da lei”, porque em se tratando de um agente político, uma pessoa pública que se propôs a trabalhar em prol da sociedade, em ser um zelador do tesouro público, geralmente um profundo conhecedor das leis e do sistema jurídico, deverá a justiça, agir de maneira rígida e severa possível, na punição por ações ilícitas. Além do repúdio social, os crimes cometidos contra o patrimônio público, envolvendo agentes políticos, são crimes que violam e expõem o autor a uma situação de traição a sua Pátria, ao seu povo e ao propósito pelo qual estes se elegeram, por isso, a necessidade de rigor ao aplicar a pena, deve ser inequívoca e necessária para que a verdadeira justiça seja feita. As últimas gravações divulgadas nesta semana pela imprensa, revelaram a tentativa de “bloquear” a justiça e especificamente a Operação Lava Jato, chegando a insinuar em alguns trechos da gravação entre Sérgio Machado e Renan Calheiros, de que se as delações dos diretores de algumas empreiteiras, chegassem a acontecer, “não sobraria ninguém”. Não quero chegar ao extremo e muito menos a generalização de uma classe tão importante para nosso País e para nossa democracia, mas que os últimos acontecimentos estão nos preocupando, isto é um fato.

A justiça precisa ser feita e os culpados punidos, doa a quem doer. A sociedade deve permanecer em alerta, sentinela e vigilante a todos os fatos e movimentações do Congresso Nacional, do Supremo e da própria justiça. Não podemos mais admitir retrocessos e conchavos que se perpetuaram nos porões da política brasileira. O momento é de mudança de postura de todos os brasileiros, que devem permanecer intolerantes a velha política de corrupção e de descaso com o dinheiro público, que permitia conchavos e manipulações espúrias.


Leia Também Demitido por vender vacina da gripe A Como saber se estou correndo rápido? Acordo prevê ações de sustentabilidade na administração pública Ernestina – sempre foi Dona Ernestina