A educação para a democracia

Postado por: Neuro Zambam

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A necessária educação das novas gerações para a democracia é o tema que tem me intrigado nas últimas semanas, quando perdemos as referências práticas em relação a este sistema completo, evoluído e com inúmeros recursos, mecanismos e ideais para organizar de forma equilibradas as sociedades. Essa afirmação é consagrada pelas convicções construídas ao longo da história e pelas inúmeras constatações sobre a sua efetividade.

As sociedades democráticas não têm motivos para conflitarem entre si, na conclusão de Rawls e de tantos, contemporâneos ou não.

O fato é a realidade confusa e sem condições de melhor organização no futuro próximo. Acresce-se a isso as inúmeras formas de disfunção, desregramento, ameaças, corrupções e violências que aparecem rotineiramente e alimentam as de forte repercussão.

O ser humano, feito para a cooperação e para a política, entendidas aqui como formas de convivência e organização das diferenças, do ordenamento das desigualdades e do exercício cotidiano da tolerância está confuso e constrangido. O Brasil está constrangido. Na busca de culpados encontramos aqueles nos quais confiamos, na tentativa de solucionar graves desvios e traições, nos vemos envoltos com outras de maior constrangimento e menos vergonha.

Ou nos conhecemos, ou nos reconhecemos. Ou nos encontramos com os mesmos e somos cada vez menos conhecidos, que nos perdemos no entorno de nós mesmos e de nossas decisões constrangedoras, no ato ou nas suas consequências.

Sobre isso e pensando nas futuras gerações, já que estas e suas escolhas estão postas ali, disponho a obra de Rawls em vista da democracia.

"Num regime democrático, a base da tolerância e da cooperação social fundamentada no respeito mútuo corre perigo quando essas distinções não são reconhecidas; pois, quando isso acontece e esses ideais e modos de vida assumem uma forma política, os termos equitativos de cooperação são formulados de maneira estreita, e a cooperação livre e voluntária entre pessoas com diferentes concepções de bem torna-se impossível”.

A busca pela justiça social, apenas é em consequência da democracia, demanda a superação de barreiras que impedem a cooperação, a participação, o exercício da liberdade e outras referências da democracia constitucional que podem ser sintetizadas pelo individualismo moral que está na origem de inúmeras situações que constrangem a tradição e impedem projetos que visam o bem comum. O valor da pessoa e sua integração social na consagrada convicção sujeito de direitos, precisa ser recíproca e conduzir para metas comuns. Esse conflito é conclusivo para o liberalismo político.

As dificuldades e deficiências que dificultam uma avaliação serena do presente, nos obriga olhar o passado e vislumbrar um futuro distante e menos confuso, porém ampliado com as lições de gerações tomadas pelo constrangimento e pela ausência de um olhar para os outros.

Nosso futuro será comum e rotineiramente marcado pela capacidade de construção de acordos permanentes ou não será. Ou queremos o fanatismo?



1 RAWLS, John. O liberalismo político. 2. ed. Tradução de Dinah de Abreu Azevedo. São Paulo: Ática, 2000b, p. 428.


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