Conexões ocultas da geopolítica e as disputas pelo poder no Brasil

Postado por: Israel Kujawa

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Uma das características da atualidade é a globalização. Trata-se de um aspecto central do atual modelo organização política, econômica, cultural e social, que interfere no comportamento do conjunto dos países, dos estados das comunidades e dos indivíduos. As motivações geopolíticas estão na origem da nossa história e o início da colonização do Brasil, ocorrida a mais de cinco séculos. As disputas entre Portugal e Espanha estão na base de muitos conflitos, confrontos e guerras ocorridas no Brasil. Na mesma perspectiva, durante a segunda metade do século vinte, a União Soviética, a China e Cuba, como principais representantes dos países socialistas, disputaram com o Estados Unidos a hegemonia do comando político e econômico do Brasil.

A dissolução da União Soviética e a queda do murro de Berlin, ocorrida no final do século passado, simbolizaram o fracasso do modelo socialista e inauguram o que pode ser considerado como uma nova fase do modelo capitalista. Nesta fase, identificada com a globalização, as empresas e o mercado ampliaram seus poderes econômico político e cultural, diminuindo a capacidade de controle, de intervenção e de comando dos estados nacionais. Grandes empresas, em sua grande maioria geograficamente vinculadas a países como os Estados Unidos, Alemanha, Japão, Inglaterra e China, passaram a disputar e ditar as regras de funcionamento da economia, da política e do comportamento humano.

Neste cenário, o Brasil, sua economia e sua política, desempenham uma função limitada e subordinada aos interesses destas empresas obstinadas pelo lucro, que impõem sacrifícios humanos e de destruição dos recursos naturais. O final da primeira década e o início da segunda década deste século, podem ser identificados com uma postura que sinaliza protagonismo do Estado brasileiro no cenário global. Este protagonismo está simbolizado na intensificação da liderança nas relações econômicas e políticas com países da América do Sul, da China, Índia Rússia e África. Ocorre que nos últimos três anos, as disputas internas pelo comando do Estado brasileiro, estão destruindo empresas nacionais, aumentado as dificuldades econômicas e recolocando o Brasil na condição anterior, de país periférico, sem voz e sem reconhecimento nas relações globais.

A leitura e a reflexão de posicionamentos apresentados por pensadores como Zygmunt Bauman (esteve no Brasil em 2015), Boaventura de Sousa Santos, David Harvey e Noam Chomsky, são indispensáveis para descrever o que está ocorrendo no e com o Brasil. Para ultrapassar as sombras e identificar razões ocultas, que auxiliam no entendimento adequado, é indispensável considerar o interesse das grandes empresas multinacionais e do mercado nas reservas naturais, já exploradas (destruídas) em outros países e ainda abundantes na América Latina. Nisto está incluído, em especial, o petróleo Brasileiro.


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