A desigualdade perversa

Postado por: Neuro Zambam

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A desigualdade foi no passado e, ainda hoje continua um dos sintomas que retratam o nível de injustiça social, de desequilíbrio nas decisões, do valor que é dado às pessoas, da força das instituições, entre outras dimensões. O atual momento nacional de profundo constrangimento para a população como um todo, exceto para os que acumular recursos de forma desordenada ou os responsáveis pela situação mencionada, têm entre suas mazelas a triste realidade do desemprego.

O sentido do trabalho foi apresentado e refletido por inúmeros pensadores e instituições, com maior ou menor intensidade. São Paulo foi eloquente na sua convicção: “Quem Não Trabalhar, Não Coma” (2 Ts 3,10). As demais posições advêm do Ensino Social da Igreja, da avaliação de Marx sobre a alienação da força de trabalho pelo sistema de produção capitalista, entre outros.

A metáfora de Paulo é norteadora e desconcertante. Primeiro, afirma que o trabalho é fonte de dignidade e instrumento de realização humana, integração social, condição para a digna sobrevivência e participação na obra de construção do sentido da vida ou extensão da identidade humana e divina.

De outra banda, está implícita a condenação das formas que denigrem, adulteram, exploram ou negam o trabalho. Especificamente me refiro às modernas formas de escravidão denunciadas pela Ong Walk free e pela triste e lamentável volta dos altos índices de desemprego no Brasil.

A negação proposital do trabalho ou a contribuição seja pela negligência ou de forma ativa por meio de apoios políticos, econômicos ou pactuação com a corrupção é de uma gravidade difícil de ser mensurada.

O desemprego é um grave delito e suas consequências representam desde frustrações primárias, desintegração familiar, aumentos dos níveis de suicídio e outras mazelas. Destaco para uma reflexão crítica:

“Há provas abundantes que o desemprego tem efeitos abrangentes além da perda de renda, como dano psicológico, perda de motivação para o trabalho, perda de habilidade e autoconfiança, aumento de doenças e morbidez (e até mesmo taxas de mortalidade), perturbação das relações familiares e da vida social, intensificação da exclusão social e acentuação das tensões raciais e das assimetrias entre os sexos”. (SEN, Amartya. Desenvolvimento como liberdade. Tradução de Laura T. Motta. São Paulo: Companhia das letras, 2000, p. 117).


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