Será o fim, ou o recomeço?

Postado por: Clovis Oliboni Alves

Compartilhe
A cada revelação divulgada pela imprensa de novos envolvidos nos esquemas de corrupção, fica um questionamento da população: “até quando e onde vão parar as investigações”? A sensação que temos é a de que “todos”, estão de alguma maneira, envolvidos ou comprometidos com os esquemas ilícitos. Realmente está difícil não generalizar o conceito dos agentes políticos, porém, diante de todo este turbilhão de denúncias, debates, discussões políticas, oitivas, delações, detenções e prisões, surge uma população de eleitores, bem mais criteriosa, madura e exigente para as próximas eleições.

Durante esta semana, uma notícia caiu como uma bomba no governo Temer e especificamente no PMDB. O Procurador Geral da República, Sr. Rodrigo Janot, expediu um pedido de prisão ao Supremo Tribunal Federal(STF), contra o ex-presidente da República, Senador José Sarney, o Senador Romero Jucá, o presidente do Senado, Senador Renan Calheiros e o presidente da Câmara afastado, Deputado Eduardo Cunha. No pedido, o argumento de tentativa de obstrução da Operação Lava a Jato. Tal pedido se deu depois das revelações do ex-presidente da Transpetro, Sr. Sérgio Machado, que tornou público algumas gravações telefônicas com os acima citados, extremamente comprometedoras e constrangedoras aos envolvidos. Para a população, que assistiu pela mídia a todos estes degradantes e imorais diálogos, entre as maiores autoridades políticas de nossa Nação, fica a sensação de que tudo está perdido e de que todos, incluindo o sistema de governo, precisam passar por uma “reciclagem” geral. Pra completar o caos, o Japonês da Polícia Federal, o agente Newton Ishii, também foi preso nesta semana. O agente Ishii, que virou símbolo da moralidade da justiça, tema de marchinhas de carnaval, com bonecos e máscaras sendo usadas como protestos contra os corruptos e a favor da Polícia Federal, foi preso por envolvimento em contrabando e suspeita de vazamento de informações da Operação Lava a Jato. Mais uma decepção para nós brasileiros...

Até parece piada o que estamos vivenciando neste momento, e, se contássemos isso há alguns meses atrás, certamente seríamos taxados de loucos, mas é verdade, isso está acontecendo no Brasil, na terra do “jeitinho”, do toma lá da cá, das propinas e corrupções, dos conchavos... Vivemos um momento de intolerância a tudo isso, a justiça e o povo brasileiro disseram “chega de corrupção”! Estamos dando um basta em toda esta “fedentina” política que se instaurou durante muitos anos nos porões do Congresso e do Planalto. Chegou a hora da mudança, mudança de postura dos políticos e principalmente dos eleitores. Vivemos num tempo de publicidade, de democracia, de liberdade de imprensa, onde jamais iremos admitir o retrocesso. Provamos o gosto da civilidade democrática, da força do povo nas ruas, nas manifestações, e agora, todos os que vierem a nos representar, precisam seguir a risca os princípios da moralidade, da ética e do estrito cumprimento do dever legal. Ao vermos as maiores autoridades nacionais sendo penalizadas pela justiça, fica o exemplo aos demais agentes públicos e ao povo brasileiro de que a justiça existe e que está sendo efetiva em nosso País, independentemente de quem esteja envolvido.

Para nós brasileiros, embora haja o constrangimento e o sentimento nacionalista de vergonha, diante de tantos fatos ilícitos envolvendo autoridades, fica a sensação de esperança em um Brasil melhor, com efetiva atuação da justiça, autonomia dos poderes e acima de tudo, uma “limpeza” ética na classe política. De agora em diante, a responsabilidade em dar continuidade a este processo de moralização, está nas mãos de todos nós eleitores, que precisamos fazer a nossa parte e nos comportarmos como manda a lei, a democracia e a conduta moral da sociedade brasileira.




Leia Também Façam uma estátua para Renato Um menino de vinte anos! Educação como horizonte A Síria é aqui?