A educação básica, o mercado, o estado e a sociedade

Postado por: Israel Kujawa

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Conceitualmente a educação básica está dividida entre educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. Quem acompanha as mudanças no sistema educacional brasileiro percebe que houve, na última década, uma grande evolução, com altos investimentos no ensino técnico, no ensino superior e na pós graduação (mestrados e doutorados). Esta evolução se deu com a construção de inúmeras escolas técnicas e de universidades públicas, para que os jovens pudessem estudar sem pagar mensalidades. Além disto, os investidores privados (o mercado) encontraram uma oportunidade de lucrar, criando faculdades e universidades que passaram a ser frequentadas por estudantes que pagam mensalidades com recursos públicos (FIES e Prouni), administrados pelo Estado.

Ocorre que esta ampliação da oferta no ensino técnico e superior está evidenciando os limites do sistema educacional, que devem ser enfrentados na educação básica. O modelo institucional positivista mecanicista de transmissão de informação não atende as necessidades humanas dos século XXI. Em especial não atende a necessidade dos jovens que tem a cultura de acessar as informações por meio do computador e do celular. As necessidades humana, sociais e individuais, de segurança, liberdade e reconhecimento, são as mesmas existentes na origem da vida em sociedade, no entanto o contexto e as os modos de interferência institucional feitos por dois “monstros” (o estado e o mercado) precisam ser analisados e compreendidos.

A educação básica deve apontar modos de identificar, acessar e conviver adequadamente com o básico. Entre o conjunto das necessidades humanas básicas está o desejo de liberdade, de segurança e de reconhecimento. O ocorre que a razão determinada por um conhecimento anterior, cientifico e inquestionável se confronta com a construção, com a criatividade e com a inovação. No modelo institucional positivista, o comportamento fora dos padrões preestabelecidos era limitado pela poder da autoridade e pelas dificuldades de acesso às informações. O reconhecimento estava vinculado ao acesso a determinadas posições sociais claramente definidas. No entanto, na sociedade atual, os espaços de reconhecimento social não estão mais vinculadas com posições institucionais nem com papéis sociais (professor, médico, dentista, advogado) preestabelecidos.

A crise da educação básica pode ser visualizada na gestão, simbolizada em atores atrelados ao Estado, que tem se mostrado autoritária, desatualizada, burocrática. Estes limites não são apenas das pessoas que fazem a gestão, mas da instituição Estado, que não concede espaço e expulsa os profissionais que não se comportam em sintonia com suas regras.  Nesta crise, o mercado está visualizado uma oportunidade, um espaço de atuação, para investir e lucrar. Neste contexto, a sociedade tem um debate complexo a ser enfrentado, em que o comportamento destes dois atores deve ser claramente explicitado, para que as necessidades humanas básicas sejam atendidas e para que o interesse da sociedade se sobreponha aos interesses do estado e do mercado.

 

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