A violência e a indisciplina em sala de aula

Postado por: Neuro Zambam

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            As divulgações sobre os casos de violência impactam em todos os sentidos. A violência é dramática e revela a incapacidade de conviver com as diferenças, as patologias mal resolvidas ou não tratadas, as relações mal resolvidas, a imposição unilateral da vontade única e verdadeira, as deficiências de culturas sem a devida reflexão, entre outros aspectos.

            O Ministério da Educação está empenhado com o combate à indisciplina em sala de aula, o que envolve um tipo de comportamento com raízes de violência e graves consequências em relação ao futuro. O tema esteve em evidência na Voz do Brasil desta semana (segunda feira). A estatística é assustadora. O tempo gasto pelos professores em sala de aula para organizar a disciplina chega a 20%. Esse dado é preocupante tanto do ponto de vista quantitativo, quanto do ponto de vista simbólico.

            A quantia de tempo representa quase metade de um período de 50 minutos, isto é, uma hora/aula. Os estudantes e professores sabem o quanto se pode fazer nesse tempo e percebem, também, a gravidade de desperdiçar metade desse tempo por causa de problemas que não poderiam chegar à sala de aula se tivéssemos o hábito da disciplina e o do respeito para com os mais velhos, as autoridades públicas, aos pais, aos professores e outros líderes cuja função é relevante na sociedade e na formação dos valores e do comportamento humano e social.

           A repercussão simbólica liga-se ao fato da importância do educador e das consequências em relação ao futuro. O professor precisa representar a figura de quem aprimora o estofo de valores e relações iniciadas em casa. A escola, dito de forma simples, prepara o cidadão para a vida em sociedade, amplia a sua concepção de mundo e a sua capacidade de conviver com as diferenças, exercer a tolerância e romper as acomodações e resistências.

            O agente privilegiado desse processo, o professor, precisa dispensar uma parte preciosa desse tempo para organizar internamente uma sala de aula e os demais aspectos do ambiente, por exemplo, acalmar os gritos, jogar o lixo na lixeira, separar brigas e outros. Isso retrata deficiências maiores e de consequências delicadas e de difícil solução. A contradição está exposta.

            A percepção e a atenção devem recair, primeiramente, sobre os pais e mães de família para a necessidade de educar para os limites e os primeiros passos da boa educação. O interior da família deve ser o espaço (jardim) da educação. A negação dessa prerrogativa impede a busca de solução para outras dimensões de igual ou maior gravidade, com destaque à qualidade do ensino, a formação dos líderes do futuro, a infraestrutura material e a valorização salarial dos profissionais.

            A valorização da educação é um processo delicado, exigente e permanente que atinge o conjunto da sociedade e a vida pessoal de cada cidadão. O cuidado e a atenção para esses detalhe é relevante para as famílias e fundamental para o amadurecimento político de uma nação. O dado que orienta essa reflexão retrata o quanto distantes estamos do equilíbrio social e o tamanho da nossa responsabilidade.  

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