O analfabetismo funcional

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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A questão do analfabetismo no Brasil é hoje uma triste realidade que afeta mais de 13 milhões de pessoas, acima de 15 anos de idade (Conforme Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Pnad). Existem hoje duas vertentes que dividem o analfabetismo em nosso País: os analfabetos absolutos e os funcionais, sendo que, as principais causas do analfabetismo, estão ligadas à exclusão social, a falta de acessibilidade ao sistema educacional, a cultura hereditária familiar e a falta de políticas públicas nesta área.

O número de analfabetos absolutos no Brasil teve uma redução considerável nos últimos anos, isto é um fato, porém, os analfabetos funcionais, que são aqueles que embora saibam reconhecer letras e números, não conseguem interpretar textos e nem fazerem cálculos matemáticos mais complexos, estes vêm aumentando a cada dia. Uma população analfabeta, certamente estará predestinada ao fracasso pessoal e profissional dos cidadãos, provocando um verdadeiro retrocesso ao desenvolvimento humano e social. A falta de políticas públicas voltadas à erradicação do analfabetismo, é um sinal evidente da falta de planejamento e de priorização da educação em um governo. Uma das maneiras mais justa e eficaz de se fazer inclusão social, está na educação, pois é através dela que podemos colocar em condições de igualdade, todas as pessoas, indistintamente de raça, credo ou condição social. O povo analfabeto, se torna facilmente manipulável pelos governantes, que muitas vezes, não fazem nenhum esforço para retirarem as pessoas desta situação, sob pena de se ter uma população extremamente crítica, com opinião própria e participação efetiva nos atos do governo.

O Estado do Rio Grande do Rio Grande do Sul vem sendo um mau exemplo na área da educação para o nosso País. As escolas encontram-se sucateadas, com falta de materiais didáticos e de limpeza, além da falta de professores. O magistério encontra-se em greve, com o apoio dos alunos que passaram a ocupar várias escolas como forma de protesto. O governo não dá sinais de que irá ceder e atender aos pedidos dos professores e alunos, evita qualquer comprometimento público com a categoria e também não formaliza nenhuma proposta aos servidores. A acessibilidade ao ensino fundamental é um direito constitucional de todos os cidadãos brasileiros, que deve ser garantido pelo Estado. Ao observarmos o governo do Estado, tentando repassar para a iniciativa privada, uma responsabilidade que é sua, fica claro e evidente que sua intenção, é a de “lavar as mãos” com a educação, afetando diretamente as pessoas menos favorecidas, que dependem do Estado para terem acesso a uma educação pública de qualidade. O discurso do governo, de que a parceria com a iniciativa privada irá resolver os problemas históricos com a educação gaúcha, é um discurso fantasioso e fora da realidade, sem base estatística de estudos de outras experiências, que por ventura, tenham sido bem sucedidas.

A esperança de vivermos em uma sociedade mais justa e igualitária, passa pela erradicação do analfabetismo, pela inclusão social calcada na igualdade de conhecimento, de educação... A educação pública brasileira, precisa resgatar sua dignidade, precisamos voltar a ter orgulho da qualidade de nosso ensino público, de uma escola cidadã, com professores bem remunerados e qualificados, que certamente irão reproduzir alunos com uma maior excelência de educação. O povo alfabetizado é povo culto, com maior desenvolvimento humano e social, com capacidade crítica para as questões políticas de uma Nação.   

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