O aluno “anjinho” e a diretora “má”

Postado por: Dilerman Zanchet

Compartilhe

A Constituição Federal de 1988, reformulada e dita por muitos, há muito, de que era um entrave para o país, está mais uma vez demonstrando o quão despreparado somos para a democracia, os direitos e os deveres.

Temos, nestes 28 anos, um misto de anarquia, bagunça, corrupção, desrespeito às leis. Enfim, um caos político, econômico, social e de total desrespeito às instituições. Sejam elas de cunho administrativo, político ou governamental.

E o pior: O povo aplaude a cada ação. As redes sociais “bombam” opiniões descabidas e generalizadas dos fatos.

Exemplo disso é a professora, diretora de uma escola de Passo Fundo que, no início da semana, teve a ousadia de querer separar a briga de dois alunos no corredor interno do educandário.

Ora, o que tem que fazer uma senhora que recebe um “monte” de dinheiro por mês, benefícios, ótimo plano de saúde, salário em dia, para querer separar a briga de dois “anjinhos”, sendo um com 11 anos de idade, oriundo de uma família exemplar, com pai e mãe sempre presentes?

Porque uma diretora de escola tem que separar uma briga e tentar levar um “anjinho” de 11 anos para a secretaria, a fim de evitar mais tumulto?

 E ainda oferecer o seu olho para ser agredido por um potente soco?

E que soco! Digno de Mike Tyson.

Pura ironia.

Na verdade, o tal Estatuto da Criança e do Adolescente, com suas nuances, protege, e muito, os “anjinhos”. Há até quem defenda que este ECA deveria estar em algum capítulo da Bíblia, tantos os direitos e poucos os deveres dos menores. Enfim, aí está mais um caso de descalabro, de desmando, de INJUSTIÇA para com quem de direito.

A professora – meu total e irrestrito respeito a ela - carrega o fardo de uma educação que não serve de modelo a ninguém. Muito menos aos tais seguidores do tal Paulo Freire, o qual deveria ter a maioria de suas ideias banidas pelo MEC.

Sofre a educadora (conduzida ao cargo de diretora), por ser idealista em uma profissão que está em extinção. Sofre por querer educar e dar à sociedade e aos filhos desta sociedade, uma posição que possivelmente não mereça. Não é generalizar. São os fatos.

Onde errou a professora então? 

Errou ao não deixar que se matassem (os dois brigões)?

Errou ao não chamar os pais do “anjinho”, antes de se aproximar do mesmo?

Errou ao não chamar a Brigada Militar, Bombeiros, Exército?

Errou ao não dar um “para-te quieto” no piá?

Não. Seria processada, humilhada, escorraçada se tivesse feito isso. Seria colocada no paredão das redes sociais de uma sociedade hipócrita. Que muitas vezes não vê o próprio umbigo.

Tenho pena desta educadora e para ela vai o meu mais profundo respeito e admiração.

Ela é um instrumento, infelizmente, desta Constituição ineficiente que protege e dá direito a quem, muitas vezes, não deve.

A diretora “má” foi vítima do aluno “anjinho”, filho de uma sociedade que não sabe até onde vão seus deveres, mas que cobra veementemente seus direitos.

Que país é este, Meu Deus?

Leia Também 33º Domingo do Tempo Comum. O Enart, de novo! A importância de ter uma recepcionista/secretária preparada em seu consultório. Feito é melhor que perfeito