Racismo: uma luta contínua

Postado por: Juliano Roso

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Nos últimos anos ganhou visibilidade no Brasil o debate sobre o racismo. Apesar de sutil em alguns casos, o racismo se concretiza despudoradamente nas universidades, na política, na mídia e em diversos espaços da sociedade. Mesmo sendo a nação com mais negros fora da África, o Brasil cinicamente varreu para debaixo do tapete um problema real e que engessa a concretização de um país multicultural.

Para conhecer a posição do negro em nossa sociedade basta olhar para os lados e ver onde ele está. Geralmente, vive na periferia e ocupa empregos de baixa remuneração. Encontrar um negro nos bancos de uma universidade então não é tarefa simples. E não são só essas situações cotidianas, muitas delas veladas, que retratam o racismo incrustado de nossa sociedade.

Recentemente, a Safernet, instituição que recebe queixas de violação de direitos na internet, apontou que recebeu em nove anos 469 mil denúncias de racismo no país. Somente em 2015 foram 55 mil denúncias desse tipo. Esse preconceito, herdado de nossa história colonial, ainda persiste. 

A aclamada “democracia racial”, retratada em “Casa Grande e Senzala”, de Gilberto Freyre, que aponta a miscigenação como salvo-conduto para tornar o Brasil um país sem racismo, não elimina o preconceito diário das piadas e da exclusão social.  Exclusão essa que carregaremos por muito tempo ainda se não tratarmos do assunto e apoiarmos políticas de inclusão, como as cotas nas universidades.

Será com o aprofundamento desse debate que poderemos ver o negro verdadeiramente integrado à sociedade, ocupando de fato seu espaço e fazendo do Brasil um país democrático na prática. 

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