Feijão e outros alimentos

Postado por: Ari Antônio dos Reis

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Soou como alerta a notícia de que o Governo Federal iria diminuir a taxa de importação de feijão devido à falta do produto e consequente alto custo no mercado. O problema é mais amplo. O preço do feijão é uma parte das dificuldades dos brasileiros quanto ao acesso à alimentação.

No caso do feijão a influência do clima, que teria gerado quebra da safra, é apenas um dos fatores. A diminuição dos impostos para a importação é um paliativo que não interfere no núcleo do problema que é a diminuição gradativa da área plantada de feijão.

Nos últimos anos, apesar da propaganda da pujança da agricultura brasileira enquanto garantidora da balança comercial favorável, temos produzido poucos alimentos para a mesa dos brasileiros. Produzimos grãos para a exportação e somos insuficientes na produção de alimentos fundamentais para a nossa mesa.

Comprova esta informação a diminuição da área plantada de feijão, arroz, mandioca e trigo. Como consequência estes produtos têm seguidamente seus preços inflacionados. De 2012 a 2015 o feijão teve seu preço aumentado em média 64%, o arroz em 43%, mandioca em 55%, tomate em 62 %, cebola em 162%. 

Enquanto se assumir um modelo agrícola voltado à produção de “commodities”, onde soja e milho tem grande peso, maiores serão as dificuldades quanto à produção de outras variedades de grãos que estão inseridos na cultura alimentar brasileira.

O quadro se agrava se olharmos ainda duas questões: a qualidade dos alimentos que chegam à mesa, cada vez mais inseridos no modelo agroindustrial que não privilegia a qualidade, mas o lucro fácil; e o percentual de produtos contaminados com agrotóxicos.

   Se considerarmos que o alimento saudável é fundamental para a saúde, estamos com sérios problemas. O risco da falta de alimento é cada vez maior e o consumo de alimentos perniciosos a saúde tem aumentando significativamente.

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