Papa Francisco

Postado por: Dom Rodolfo Luís Weber

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Nesta quarta-feira, 29 de junho, na solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, tive a oportunidade de encontrar pela primeira vez o Papa Francisco. Na oportunidade, os 25 arcebispos nomeados de julho de 2015 a julho de 2016 receberam o Pálio de Arcebispo, entregue depois da missa. Por orientação do papa, agora o Pálio é imposto na própria arquidiocese pelo Núncio Apostólico. Esta solenidade acontecerá em Passo Fundo, no dia 07 de agosto. Durante a missa foram utilizadas oito línguas, destacando a catolicidade da Igreja.

Existe sempre uma grande expectativa quando se conhece um líder pelos meios de comunicação e se tem a oportunidade de encontrá-lo pessoalmente, mesmo que por num tempo muito breve. Qual será a impressão que terei do Papa? Aquilo que se fala dele se confirmará? Há diferença entre um Papa e outro, já que tive a oportunidade de encontrar São João Paulo II e Bento XVI? Poderia apontar outras qualidades das quais não se fala muito? Partilho as minhas impressões.

Antes da missa, Francisco cumprimentou individualmente a cada um dos novos arcebispos, já dentro da Basílica de São Pedro e São Paulo. Acolheu-nos com seu sorriso cativante, deixando todos muito a vontade na sua presença. A sua autoridade de sucessor de São Pedro não é motivo para causar distância, mas é a autoridade do bom pastor que acolhe e quer ter presente junto a si os que lhe foram confiados, também aqueles que ele escolheu para serem arcebispos.

Sempre se destaca a humildade do Papa Francisco e isto fica bem visível. Numa solenidade tão grande, onde tudo é planejado nos mínimos detalhes, as pessoas que exercem qualquer função são devidamente preparadas e os vários corais e instrumentistas ensaiam cada compasso. Tudo isto poderia ser uma ostentação. As vestes litúrgicas que Francisco usa são belas e sóbrias e a sua postura é a de quem faz parte da celebração, não chamando a atenção sobre ele, mas sobre o que está sendo celebrado. A sua humildade poderia passar a impressão de fraqueza, de falta de rumo, de insegurança, de falta de opinião própria. Devo dizer que a sua liderança humilde não tem nada disso. Ao estar na sua presença percebemos claramente a sua liderança. É alguém que tem posicionamentos claros, transmite segurança e confiança e, acima de tudo, desafia e provoca as pessoas por ele lideradas.

Quero ainda ressaltar uma qualidade do Papa Francisco da qual não se fala muito, que é a maneira como preside a Santa Eucaristia. Do começo ao final da celebração, a sua postura é a de estar totalmente centrado naquilo que está fazendo. Como a liturgia católica deve ser bela, sóbria e harmônica, simultaneamente, ele faz muito bem esta parte. Exerce este ministério com simplicidade e naturalidade. A homilia é feita em linguagem direta e clara, permitindo que seja assimilada com facilidade. Ele vive intensamente cada momento, cada rito e cada palavra. Estes ritos visíveis e sensíveis conduzem as pessoas para aquilo que não é visível, isto é, a Deus. Ele faz as pessoas rezarem.

Os católicos têm em Francisco um grande líder que conduz com sabedoria e espírito de serviço a Igreja. Fala com palavras, com gestos e com o seu testemunho. Como as coisas boas não são propriedade de ninguém, a liderança dele é um bem para todo o mundo. É um exemplo de líder para todas as pessoas, especialmente às lideranças religiosas e civis.

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