O homem e uma apólice de seguro

Postado por: Neuro Zambam

Compartilhe

O final de semana foi novamente cruel se comparado à necessidade de construirmos novas relações de paz, concórdia e tolerância. Por que homens são capazes de matar outros homens. Sabe-se lá movidos e por quais razões. A esperança parece cada vez mais distante e as forças cada vez mais fracas.

O atentado no Iraque demonstra mais uma vez a banalidade da vida humana quando seu valor é tratado a partir do fanatismo, da arrogância, da vingança e do absurdo. As agências de notícias falaram em 215 pessoas mortas no ataque. Imediatamente os líderes mundiais, aqueles mesmos que fabricam as armas mais potentes, apressam o discurso de condenação, surpresa, apreensão e indignação.

Por outro lado, a reivindicação da autoria do atentado soa tão absurda quanto à vagueza daqueles que o condenam com seus discursos polidos e bem preparados. Por que uma organização gasta tanto tempo para organizar uma ação dessa natureza? Qual o sentido?

Ambos os lados atuam de forma limitada, inconsequente e absurda.

A reflexão sobre as tragédias humanas, na verdade, precisa ter como objetivo a reconstrução do sentido da vida, que passa pelo desenvolvimento das capacidades humanas, da relação equilibrada com o meio ambiente (bem viver), a equitativa distribuição dos recursos, o correto (não instrumentalizado) funcionamento das instituições e a prática do debate, da participação e da liberdade em todos os níveis.

À pergunta: Quanto vale uma pessoa? Nossa resposta precisa ser mais abrangente do que uma apólice de seguro. O alcance de nossa posição está nos valores e na conduta que orientam a existência. Por exemplo: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça e, também, são misericordiosos” (Jesus de Nazaré); “É para a liberdade que Jesus nos libertou” (Paulo de Tarso) e “A pessoa é um fim em si mesmo” (Kant).

A capacidade de compreender e praticar esses ensinamentos nos faz mais humanos e menos, muito menos, fanáticos.

Quando a humanidade de acostuma com poucas ou muitas pessoas eliminadas de forma violenta e sem qualquer justificativa que possa pelo menos consolar ou explicar (por exemplo, uma catástrofe natural ou um grave acidente), abre caminho para outras ações absurdas que passam a integrar o cotidiano.

A leitura da entrevista a seguir mostra o poder nefasto das desigualdades. Quando condenamos atentados ou ficamos estarrecidos com terroristas, lembremos que existem muitas causas que levam a isso. O conhecimento delas, evita que sejamos parecidos ou iguais em proporção menores. Vale apena ver o que as pessoas pensam.

(http://brasil.elpais.com/brasil/2016/07/01/internacional/1467386507_999162.html).

Leia Também O "arrastão" agora é da polícia! A vez de o Grêmio ser prejudicado Série Prata: de sétimo para o segundo lugar! O desenvolvimento natural: a contribuição de Jean-Jacques Rousseau