A insegurança nacional

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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O Brasil ocupa hoje uma liderança mundial, que em nada nos orgulha, somos líderes em homicídios, uma média de 58 mil assassinatos registrados em 2014, índice seis vezes superior a média global. Para se ter uma idéia, o País corresponde a 10% dos casos de todo o Planeta. As principais vítimas são as crianças e adolescentes, onde em média 10.520 jovens são mortos por ano, entorno de 29 vítimas por dia. Em um ranking de 85 Países, o Brasil está em 3º lugar em homicídios de crianças. O País onde um policial morre por dia em média, também é o País da impunidade, onde apenas 8% dos responsáveis pelos homicídios estão atrás das grades. A sociedade clama por socorro, necessita de medidas drásticas e urgentes, com políticas públicas de inclusão social, aparelhamento do Estado, contratação de servidores e melhorias nas condições de trabalho do efetivo existente.

Os olhos do Mundo todo estão para o Brasil neste ano de olimpíadas, especialmente para a “cidade maravilhosa” do Rio de Janeiro, porém, é hoje a cidade com uma das situações mais críticas em termos de segurança pública. O governador do Estado decretou estado de calamidade pública, enquanto que o prefeito da cidade declara para a imprensa internacional, que a segurança pública no Rio, “está horrível, que o Estado não tem comando e que precisa tomar vergonha na cara”. No aeroporto do Galeão (RJ), policiais e bombeiros, recepcionam os turistas estrangeiros com faixas com a seguinte mensagem: “Bem vindos ao inferno! Policiais e Bombeiros não estão sendo pagos, quem vier para o Rio de Janeiro não estará seguro”. O descontrole estatal vai além das questões de segurança pública, atingem também a saúde, educação e mobilidade. As manifestações das autoridades responsáveis pela segurança e do governo, realmente nos deixam com uma grande preocupação, será que a situação fugiu ao controle? Vamos “jogar a toalha” para a bandidagem? O Rio hoje representa o Brasil, e, com certeza não é esta imagem que gostaríamos de passar para o mundo lá fora.

Aqui no Rio Grande do Sul, as coisas não estão muito deferentes das do Rio de Janeiro. O governo gaúcho demonstra certa apatia para tirar o Estado da crise econômica. Não há sinais de melhorias em um curto prazo de tempo, o que está angustiando o povo gaúcho, que já não suporta mais a precariedade nos setores da segurança, saúde e educação. A segurança pública está um caos, policiais sendo mortos, alvejados a tiros em plena luz do dia, televisionados em flagrantes que viraram rotina dos tele-jornais. Os órgãos públicos responsáveis pela segurança estão sucateados, falta de pessoal, de equipamentos, salários atrasados e estrutura em geral sem condições. As quadrilhas e facções organizadas do crime estão cada vez mais audaciosas e bem armadas, comandando ações de dentro dos presídios, onde mantêm suas organizações criminosas atuantes. Na saúde o clima é de abandono total, pessoas agonizando nas filas e nos corredores dos hospitais, que estão sofrendo com a falta de repasses, o que inviabiliza o funcionamento dos mesmos. Com a educação, as coisas não podiam estar piores, agora além da greve dos professores, contam com o apoio dos alunos, que ocupam os prédios públicos das escolas, cobrando do governo melhorias na educação de uma forma geral.

De fato o clima é de “Insegurança Nacional”, a começar pela crise política sem precedentes a qual estamos vivendo, econômica e consequentemente as demais crises na segurança, saúde, educação e assim por diante, que são resultados de uma política econômica de governo que não deu certo e que precisa com urgência tomar um rumo. Para nós, resta a torcida e a esperança de que tudo se encaminhe para dias melhores. Aos governantes, o desafio de colocar o País nos trilhos do desenvolvimento, com a superação da crise econômica, a geração de emprego, inclusão social e melhoria dos serviços prestados pelo Estado, ao povo brasileiro.

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